Ciência

Erosão muda Atafona e ameaça casas, infraestrutura e atividade pesqueira

Avanço do mar começou na década de 1960 e é associado a fatores naturais, mudanças climáticas e alterações no rio Paraíba do Sul.

Erosão muda Atafona e ameaça casas, infraestrutura e atividade pesqueira

O avanço do mar alterou a paisagem de Atafona, distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, e destruiu casas, ruas, redes de esgoto e estruturas de eletricidade. O processo começou na década de 1960 e, em alguns períodos, a erosão chegou a avançar 6 metros por ano.

Mais de 500 casas foram submersas em uma faixa de aproximadamente 2 quilômetros. Até 2022, centenas de imóveis ainda ocupados permaneciam em área de risco. A atividade pesqueira também foi afetada: a redução da vazão do rio Paraíba do Sul dificultou a entrada de barcos e atingiu a economia local.

A transformação pode ser observada na história de Sônia Ferreira. Ela construiu a casa em 1978, quando havia dois quarteirões entre o imóvel e o mar, além de uma avenida asfaltada, calçadão e uma faixa extensa de areia. Em 2019, depois que a água alcançou o muro dos fundos, Sônia deixou a residência e passou a morar em um apartamento pequeno construído no mesmo terreno.

A erosão retirava a areia sob o lote e comprometia a sustentação dos muros. Sônia relatou que chegou a considerar a colocação de pedras diante da construção, mas desistiu porque a medida poderia prejudicar os vizinhos.

João Waked Peixoto também acompanhava a ameaça à casa de sua família em 2022. Em 15 dias, o mar teria avançado entre 3 e 4 metros na área do imóvel. Para ele, deixar a residência significaria perder lembranças reunidas por várias gerações.

O geólogo Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense, relaciona o agravamento da erosão a fatores naturais e humanos. Entre os efeitos de longo prazo, aponta o aumento do nível do mar associado às mudanças climáticas. No curto e médio prazo, cita ressacas excepcionais e períodos prolongados de chuva e seca.

Bulhões também aponta alterações no rio Paraíba do Sul. Ao longo de cerca de 40 anos, atividades como mineração e desvios de água para a agricultura teriam reduzido a vazão e a quantidade de areia transportada até a foz. Com menos sedimentos chegando à costa, a praia perdeu capacidade de recomposição natural. A ocupação do litoral ainda retirou parte da proteção oferecida por dunas e vegetação.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5