O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% entre abril e junho, abaixo da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre. O resultado do segundo trimestre, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (1º/9), mostrou desaceleração da atividade econômica.
A perda de ritmo ocorreu junto com uma redução no consumo das famílias, que recuou 0,4%, depois de avançar 0,8% entre janeiro e março. O consumo tem impacto direto sobre o setor de serviços, o maior da economia, seguido por indústria e agropecuária.
No segundo trimestre, a agropecuária cresceu 2,8%, enquanto os serviços avançaram 0,2% e a indústria, 0,1%.
Juros e projeções
Em nota técnica da Secretaria de Política Econômica (SPE), o Ministério da Fazenda atribuiu o desempenho do PIB aos juros altos e ao elevado endividamento das famílias. A pasta afirmou que os efeitos da política monetária restritiva continuam predominando sobre a demanda interna e os setores mais cíclicos, como indústria de transformação, construção e comércio.
A projeção da Fazenda para o crescimento do PIB em 2026 é de 2,3% e está em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa. A estimativa do Banco Central para a atividade econômica neste ano é de 2%. Para o mercado financeiro, o PIB brasileiro avançará 1,92% em 2026.
A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano. O ciclo de queda teve redução mais recente de 0,25 ponto percentual, quando a taxa estava em 14,25% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para discutir a Selic está marcada para os dias 15 e 16 deste mês.
Para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, a queda do consumo indica que os juros continuam afetando a demanda. “O dado que chama mais atenção é o consumo das famílias, que caiu 0,4%”, afirmou.
Endividamento das famílias
Na quarta-feira (2/9), o Banco Central publicou uma nota, por meio do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), sobre os juros cobrados dos consumidores. A autoridade monetária informou que prepara medidas para reduzir os riscos relacionados à participação elevada de modalidades de crédito mais caras nas dívidas das famílias.
O endividamento das famílias está próximo do recorde histórico de 49,9%, com índice de 49,8% apurado pelo Banco Central. Em 4 de maio deste ano, o governo federal lançou o programa Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, para facilitar a renegociação de dívidas com juros menores.
O PIB corresponde à soma dos bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade em um ano. A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, ante 3,4% em 2024.








