A Polícia Federal indicou que Dias Toffoli pode ter sido o proprietário de fato ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação consta de relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O documento afirma que foram identificados elementos que, analisados em conjunto, apontariam para a possível ligação de Toffoli com o fundo e seus ativos. O Arleen era sócio do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, empreendimento que pertencia a Toffoli e sua família.
Mudanças no fundo
Em fevereiro de 2025, quando o Arleen passou para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e proprietário da empresa de segurança FS Security, o fundo alterou seu regulamento para permitir investimentos no exterior. Em dezembro, seus ativos foram transferidos para o Egide I, registrado nas Ilhas Virgens Britânicas.
A PF também mencionou documentos e comunicações que sugeririam o uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações relacionadas à Edige I Holding. O relatório, porém, afirmou que o caso exige aprofundamento e que os elementos ainda não permitem conclusões definitivas.
Processo sobre precatórios
A investigação também apontou uma possível influência de Vorcaro sobre Toffoli em um processo envolvendo a destilaria Alcídia. A empresa cobrava da União uma reparação por prejuízos causados na década de 1980. Uma decisão favorável poderia beneficiar a carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro no banco Master.
Em mensagens, o diretor jurídico do Master, André Kruschewsky, classificou o caso como importante para processos semelhantes. Vorcaro afirmou que acompanhava a situação e que estava tratando do assunto, além de dizer que Toffoli havia mudado o voto.
Kassio Nunes Marques pediu vista no dia previsto para o julgamento, enquanto Toffoli registrou ausência justificada. A análise foi retomada em 1º de outubro de 2024, quando prevaleceu a tese da Alcídia e Toffoli votou a favor da usina.
O gabinete de Toffoli negou que ele tenha mantido ou movimentado recursos no exterior, inclusive nas Ilhas Virgens Britânicas. Também rejeitou a existência de alteração de voto no caso Alcídia.








