A Polícia Federal afirma que integrantes do grupo ligado a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, fizeram consultas irregulares nos sistemas do Ministério Público Federal para identificar investigações relacionadas ao banqueiro, ao Master e ao Banco de Brasília (BRB).
Em uma consulta realizada com o CPF de Vorcaro como parâmetro, foram localizados 15 procedimentos associados a ele. Desses, 11 eram sigilosos. A pesquisa foi enviada por Felipe Mourao em 23/07/2024, conforme relatório da PF.
O documento afirma que o servidor responsável pela consulta tentou esconder seu nome e seu setor com uma cobertura branca no arquivo. A identificação, porém, continuou disponível e pôde ser recuperada com a seleção e a cópia do trecho encoberto. Para a PF, o episódio indica uma tentativa deliberada de ocultar a identidade de quem realizou a busca.
Em outra consulta, Felipe Mourao usou os termos “BRB AND MASTER” para localizar procedimentos nos quais as duas expressões apareciam simultaneamente. Ao receber o resultado, Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total”. Mourao, então, informou que faria uma busca geral.
O relatório também registra que, em 24 de julho de 2024, Mourao encaminhou uma notícia de fato da Procuradoria da República no Distrito Federal. O documento tratava da apuração de possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional relacionados à aquisição do Banco Master S/A pelo BRB, cujo acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal.
Segundo a PF, a notícia de fato tinha natureza reservada e havia indícios de obtenção indevida. O procedimento foi apontado como marco inicial da Operação Compliance Zero, que levou à primeira prisão de Vorcaro em 17 de novembro de 2025.
Queda do sigilo
As informações foram divulgadas depois que o sigilo das investigações sobre o Master foi derrubado. O ministro André Mendonça determinou a medida na noite desta quinta-feira, 11, após pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.
Fachin fez o pedido depois de conversar com integrantes do STF sobre o julgamento de um pedido de providências contra Alexandre de Moraes. O caso envolve trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.
O relatório menciona ainda as Informações de Polícia Judiciária nº 1070759/2026 e nº 1020625/2026, nas quais a PF descreve a atuação do grupo chamado de “Turma” e de Marilson Roseno na obtenção de informações sigilosas. Em outro trecho, o documento afirma que, ao menos a partir de 23/07/2025, Vorcaro passou a mapear investigações que pudessem envolver o Banco Master e o BRB.








