SÃO PAULO — O candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, propôs nesta quarta-feira, 9, substituir o presidencialismo por um modelo com primeiro-ministro responsável pela economia. A declaração ocorreu após uma reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
Pela proposta, o presidente ficaria encarregado da política externa, enquanto o primeiro-ministro administraria a área econômica. Cury defendeu que o ocupante desse cargo tivesse orientação liberal, com meritocracia, Estado enxuto, impostos baixos e estímulo ao empreendedorismo, combinado a uma dimensão social.
O candidato afirmou que o presidencialismo concentra decisões em mandatários sem qualificação técnica nas áreas em que legislam e pode favorecer práticas populistas e autoritárias. Ele disse que uma mudança nesse sentido deveria começar a tramitar no Congresso Nacional já na primeira semana de um eventual mandato.
Cury também citou conversas com os economistas Mansueto Almeida e Marcos Lisboa, ex-dirigente do Insper, sobre a formação de uma equipe econômica. Segundo ele, ainda há intenção de dialogar com os ex-presidentes do Banco Central Ilan Goldfajn e Armínio Fraga.
O candidato declarou que pretende reunir especialistas de diferentes áreas e evitar a concentração de poder em torno de sua própria figura. Também voltou a dizer que não quer seguir carreira política e que se considera uma figura de transição para um novo modelo de administração pública.
Na visita à Fiesp, Cury apoiou o “Manifesto à Nação Brasileira”, assinado por cerca de três mil entidades do setor produtivo. De acordo com os organizadores, as entidades representam parcela próxima de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e 40 milhões de empregos.
O documento pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) examine com transparência e agilidade fatos recentes envolvendo integrantes da própria Corte. Sobre o ministro Alexandre de Moraes, Cury afirmou que uma irregularidade grave, caso confirmada, poderia levar a um impeachment ou à saída do cargo, sem antecipar uma conclusão sobre o caso.
Ele disse esperar que a situação seja resolvida ainda em setembro: “Eu espero que agora, neste mês de setembro, isso já esteja resolvido”.








