VENEZA, Itália — O documentário “Be Brave”, sobre a trajetória de Renzo Rosso, fundador da marca de moda Diesel, estreou no Festival de Cinema de Veneza. A produção combina entrevistas reais e imagens de arquivo com sequências geradas por inteligência artificial (IA), em uma das primeiras experiências desse tipo a testar o uso da tecnologia no cinema mainstream.
Dirigido por Francesco Carrozzini, o filme recria períodos da vida de Rosso que não tinham registros visuais, incluindo cenas de sua infância. De acordo com o diretor, a IA foi utilizada em todo o documentário, inclusive nas partes em que o empresário mais velho parece aparecer em imagens reais. “Nenhum único quadro do Renzo foi filmado para este documentário”, afirmou Carrozzini.
As entrevistas com a editora de moda Anna Wintour e o estilista John Galliano foram filmadas de verdade. Nesses trechos, os cenários foram estilizados ou retocados para compor o resultado visual.
Debate sobre o uso da tecnologia
A produção chega ao festival em meio à discussão sobre os efeitos da IA na criatividade e nos empregos da indústria do entretenimento. Cineastas e atores, entre eles George Clooney, alertaram em Veneza para os riscos associados ao avanço da tecnologia.
Lorenzo Mieli, produtor de “Be Brave”, disse que o setor deve se envolver com a IA, em vez de rejeitá-la imediatamente. Para ele, é necessário regulamentar e controlar a tecnologia, impedir sua exploração e evitar o desaparecimento de profissões. Mieli também afirmou esperar que ela se torne uma ferramenta artística.
Rosso, que cresceu na zona rural do nordeste da Itália, transformou a Diesel de uma pequena empresa de jeans em uma marca reconhecida no mundo da moda. Entusiasta da tecnologia, ele aceitou participar do documentário depois de saber que a produção usaria IA. O empresário também lembrou ter adotado cedo ferramentas como aparelhos de fax e comércio eletrônico.
Ao comentar a recriação de sua infância, Rosso disse: “Fiquei com lágrimas nos olhos ao me ver falando quando era criança.” Ele rejeitou a ideia de que máquinas substituirão designers e artistas e afirmou que os seres humanos continuam fundamentais.
“Be Brave” está em exibição fora de competição no Festival de Cinema de Veneza, que termina no sábado.









