O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) pode viver durante vários séculos e só atingir a maturidade sexual depois dos 100 anos. Encontrado nas águas profundas e frias do Atlântico Norte e do Ártico, o animal cresce em ritmo muito lento e é considerado o vertebrado de maior longevidade conhecido atualmente.
Estimativas citadas pela NOAA indicam que a espécie cresce menos de 1 centímetro por ano e pode alcançar mais de 6 metros. O metabolismo lento, as baixas temperaturas e o desenvolvimento prolongado são apontados como fatores que ajudam a explicar o envelhecimento também lento. Os mecanismos biológicos exatos da longevidade ainda estão sendo investigados.
Como a idade é calculada
A idade desses tubarões não pode ser determinada pela contagem de anéis em estruturas rígidas, método usado em diversos peixes. Para contornar essa dificuldade, pesquisadores analisaram proteínas do cristalino dos olhos, que permanecem relativamente estáveis ao longo da vida, e aplicaram datação por carbono-14.
O método foi usado em 28 fêmeas. O maior exemplar avaliado tinha aproximadamente 5 metros, e sua idade foi estimada entre 272 e 512 anos. A faixa ampla indica que o resultado é uma estimativa, não uma data exata de nascimento.
A referência a um animal de aproximadamente 400 anos corresponde à estimativa central para um dos maiores indivíduos examinados. Não é correto, porém, afirmar que a idade exata dessa fêmea era 400 anos. Os estudos continuam sendo aprimorados para reduzir as incertezas, inclusive em relação a animais nascidos antes das alterações nos níveis de carbono-14 provocadas pelos testes nucleares do século XX.
Reprodução tardia e vulnerabilidade
Um estudo publicado em 2016 estimou que fêmeas com aproximadamente 4 metros ou mais poderiam alcançar a maturidade por volta dos 134 anos. A NOAA afirma que essa etapa provavelmente ocorre somente depois dos 100 anos, embora exista incerteza nas estimativas.
A reprodução tardia limita a capacidade de recuperação das populações. Quando adultos morrem em capturas acidentais com redes e linhas de pesca, podem se passar muitas décadas até que indivíduos jovens assumam o mesmo papel reprodutivo.
A longevidade da espécie também oferece aos cientistas uma oportunidade para estudar envelhecimento, metabolismo e adaptações às profundezas geladas. Um tubarão que já estivesse vivo no século XVIII poderia continuar nadando atualmente.








