Saúde

Tripulações aéreas têm maior mortalidade por câncer ligado à radiação, aponta estudo

Pesquisa com mais de 12 milhões de certidões de óbito associou o risco à exposição à radiação cósmica em grandes altitudes.

Tripulações aéreas têm maior mortalidade por câncer ligado à radiação, aponta estudo

Comissários de bordo e pilotos apresentaram as maiores proporções de mortes por cânceres relacionados à radiação entre mais de 500 profissões analisadas em um estudo publicado em agosto na revista JAMA Internal Medicine. A pesquisa usou dados de mais de 12 milhões de certidões de óbito dos Estados Unidos.

A radiação cósmica vem do espaço. Embora apenas uma pequena quantidade alcance a superfície da Terra, a exposição aumenta em grandes altitudes, onde ocorre o trabalho das tripulações aéreas. O estudo avaliou mortes por leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e cânceres de pele, mama, tireoide, próstata e sistema nervoso central.

Diferença entre as profissões

Os comissários de bordo tinham cerca de 50% mais chances de morrer de um câncer relacionado à radiação do que a população trabalhadora em geral. Entre os pilotos, o aumento foi de aproximadamente 36%.

Em termos absolutos, esses tipos de câncer responderam por cerca de 6,9% das mortes de comissários de bordo, o equivalente a aproximadamente 1 em cada 14. Entre os pilotos, o índice foi de 6,7%. Na população trabalhadora em geral, a proporção foi de 5%, segundo Vishal Patel, primeiro autor do estudo e ligado à Faculdade de Medicina de Harvard.

Os autores de um comentário que acompanhou a pesquisa, os especialistas em radiação Catherine Olsen e Ken Karipidis, observaram que nenhum dos dois grupos teve mortalidade acima do normal por cânceres não relacionados à exposição à radiação. Para eles, esse resultado apoia a hipótese de que a exposição ocupacional, e não fatores socioeconômicos ou de estilo de vida, esteja associada ao excesso observado.

Limitações e medidas sugeridas

Os pesquisadores não conseguiram determinar quanto cada piloto ou comissário de bordo foi exposto durante os voos ou por outras fontes. Também admitiram a possibilidade de erros na classificação das ocupações registradas nas certidões de óbito.

Outra hipótese não avaliada foi a influência da interrupção frequente do relógio biológico, causada pelo jet lag, pela travessia de fusos horários e por horários irregulares de trabalho.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos reconhece a exposição das tripulações à radiação ionizante, mas não estabelece limites de dose nem exige monitoramento, segundo os autores. “Não se pode gerir uma exposição que se decidiu não medir”, disse Patel.

Sara Nelson, presidente da Associação de Comissários de Voo (AFA-CWA), que representa 55 mil comissários de bordo, afirmou que o risco é conhecido, mas que a tripulação não recebe treinamento nem informação sobre o tema.

Olsen e Karipidis sugeriram que exames dermatológicos anuais sejam considerados para pessoas que trabalham em voos de alta altitude. Eles também afirmaram que mulheres nessas profissões podem fazer mamografias mais cedo ou com maior frequência, e que médicos devem manter um alto nível de suspeita ao avaliar pilotos e comissários de bordo.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5