A ausência de azia não descarta a possibilidade de refluxo. Em algumas situações, o conteúdo do estômago retorna pelo esôfago e alcança regiões mais altas, provocando tosse, pigarro, rouquidão ou sensação de algo preso na garganta.
O gastroenterologista Michel Fernandes explica que esses sinais não são necessariamente causados pelo refluxo. A persistência ou a recorrência dos sintomas, porém, deve ser considerada durante a investigação médica, especialmente quando o desconforto afeta o sono, a alimentação, a fala ou a qualidade de vida.
Sintomas na garganta exigem avaliação
Tosse que não desaparece, necessidade frequente de limpar a garganta, rouquidão prolongada e sensação de bolo na garganta podem ter diferentes origens. Por isso, não é indicado atribuir automaticamente essas manifestações ao refluxo gastroesofágico, que ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago.
“Precisamos avaliar o conjunto de sintomas e o histórico do paciente”, orienta Michel Fernandes. De acordo com o médico, o refluxo é apenas uma das possíveis causas desses sinais, e a avaliação pode incluir exames específicos conforme a necessidade de cada paciente.
Riscos da automedicação
Algumas pessoas recorrem a medicamentos para diminuir a acidez quando sentem azia ou outros desconfortos. O uso prolongado por conta própria, no entanto, pode não resolver a origem do problema, mascarar manifestações e atrasar a investigação de outras condições.
A escolha do tratamento deve ser feita de forma individualizada, após a análise do quadro apresentado. O médico afirma que é necessário identificar o que provoca os sintomas antes de definir a conduta.
Manifestações ocasionais podem ocorrer, mas tosse noturna, pigarro constante, rouquidão persistente ou desconforto que permanece por semanas ou meses justificam a busca por avaliação médica. “Identificar corretamente a causa é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado”, afirma Fernandes.









