A Polícia Federal calculou em cerca de R$ 17 bilhões o valor de operações fictícias ou sem consistência material realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As investigações apontam produção de documentos falsos, manipulação de dados internos e uso da empresa Tirreno, suspeita de ter sido criada para movimentar ativos.
As conclusões estão em arquivos que tiveram o sigilo derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, estão presos. A defesa de Vorcaro não comentou, e não houve contato com os advogados de Costa até a noite de sábado (12).
Operações e suspeitas no BRB
A PF afirmou que houve “prática de corrupção explícita” por parte do ex-presidente do BRB e estimou em R$ 20 bilhões o total transferido pelo banco para operações incompatíveis com a solidez da instituição. A corporação também apontou a atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.
O Master teria vendido ao BRB carteiras de crédito fictícias. Em 2025, o banco estatal do Distrito Federal tentou comprar o Master, mas a operação foi rejeitada pelo Banco Central. Depois, a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada, e o BRB ficou com um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado nem coberto.
Segundo as investigações, as dificuldades de liquidez do Master se agravaram a partir de 2024. Para obter recursos, o banco passou a vender carteiras de crédito ao BRB. A Tirreno repassava créditos ao Master, que os revendia ao banco de Brasília. A estrutura buscaria dar lastro a transações para as quais o Master não teria histórico ou capacidade operacional suficiente de produção de crédito consignado.
A diretoria do BRB aprovava as compras com “trâmite frequentemente acelerado”, contrariando pareceres jurídicos que recomendavam consulta ao conselho de administração. A PF também disse que alertas técnicos e jurídicos, a falta de lastro financeiro e impedimentos de auditoria não interromperam as aquisições.
Propina e documentos
A polícia identificou o pagamento de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique como contrapartida. A operação teria sido feita por meio da compra de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. A informação levou André Mendonça, em abril passado, a determinar a prisão do ex-presidente do BRB durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.
A PF também encontrou um grupo no WhatsApp usado por Vorcaro e seus advogados para compartilhar documentos do Master e do BRB. O grupo se chamava “Daniel e os leões”.
Na área de tecnologia, scripts e códigos eram usados para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote com CPFs retirados de bases antigas, incluindo dados relacionados ao CredCesta. Também foram criadas cláusulas que simulavam autorização de clientes para a assinatura de empréstimos em seus nomes.
A investigação identificou a criação automatizada de 2,7 mil procurações. Desse total, provavelmente 1.785 foram encaminhadas ao BRB para operações de crédito supostamente originadas pela Tirreno.









