BELO HORIZONTE — O ministro André Mendonça negou o pedido da Polícia Federal para usar como base de operações uma mansão atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro. O imóvel, localizado no bairro Belvedere, tem 2.697,56 metros quadrados e foi avaliado em R$ 12 milhões. A PF pretendia instalar no local o Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais.
A solicitação foi apresentada pela delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso Master, durante as diligências da Operação Compliance Zero. O grupo está sem espaço próprio enquanto a Superintendência Regional da PF em Minas Gerais passa por reforma. A corporação informou que a entrega da nova edificação está prevista para 2028 e que, provisoriamente, suas unidades funcionam em dois prédios alugados.
Imóveis ligados ao banqueiro
A residência fica na Rua Jornalista Djalma Andrade e tem salas de estar, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras esportivas. De acordo com a PF, funcionários confirmaram que a casa e um imóvel vizinho, que está em reforma, pertenciam a Vorcaro.
A primeira propriedade aparece registrada em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, morto em 2018. Segundo o inventariante, ela foi vendida em 2022 por R$ 30 milhões à Super Empreendimentos e Participações S.A., representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. O negócio foi feito por contrato particular, sem escritura pública ou registro em cartório, e incluía cláusula de sigilo. Para os investigadores, trata-se de um contrato de gaveta.
O imóvel vizinho ainda está registrado em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A. A empresa afirma que vendeu a propriedade em abril de 2025, por R$ 20 milhões, à Viking Participações Ltda., administrada por Vorcaro. Essa companhia também assinou contrato de R$ 50 milhões para que a família do ministro Alexandre de Moraes assumisse cotas de duas aeronaves do banqueiro.
Fundamentação da decisão
A PF argumentou que o grupo, voltado à análise estratégica e à produção de inteligência policial no combate à corrupção, precisava de um ambiente reservado e discreto. A corporação também relatou que não encontrou obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos ou dinheiro em espécie na mansão.
Mendonça considerou que a propriedade tem características residenciais e recreativas, incompatíveis com o funcionamento regular de uma unidade policial. O ministro afirmou que a adaptação exigiria estações de trabalho, rede e segurança de dados, controle de acesso, arquivos, salas de reunião, adequações elétricas, climatização, acessibilidade e mobiliário funcional.
Para o relator, essas mudanças poderiam gerar despesas elevadas e reduzir o valor do imóvel. Ministros do Supremo devem se reunir na próxima terça-feira para decidir sobre uma investigação relacionada à ligação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.








