Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros e integrantes da coordenação de sua campanha para avaliar os efeitos políticos da decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal na terça-feira (8). O governo decidiu, por enquanto, reagir apenas pela via jurídica.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão imediata da determinação. A estratégia foi discutida em reunião com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O pedido foi encaminhado no início da noite.
Debate político
Aliados de Lula avaliam que a medida pode favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), considerado o principal adversário do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto. Na avaliação de integrantes do governo e da campanha, Mendonça estaria sendo usado como “cabo eleitoral” em favor de uma possível vitória do candidato do PL. O ministro foi indicado ao STF em 2021 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, classificou a decisão como “descabida”, “eleitoral” e “intromissão onde não lhe cabe”. Na terça-feira, ele também afirmou nas redes sociais que a medida “cheira como eleitoral”.
A campanha ainda não chegou a um consenso sobre como atuar. Uma das preocupações é que o ambiente de conflito institucional influencie a percepção do eleitorado sobre a situação do país e afete Lula. Integrantes da campanha também consideram que decisões de Mendonça, incluindo a liberação de documentos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, podem fortalecer discursos de críticos do Supremo.
Aliados aconselham Lula a evitar envolvimento direto na crise. Em um ato público no Planalto na tarde de terça-feira, ele não abordou o tema e concentrou a fala no meio ambiente, durante o “Dia da Amazônia”. Outro grupo defende que o presidente adote uma comunicação mais direta e sem roteiro.
A deputada Gleisi Hoffmann (PR), ex-ministra e ex-presidente do PT, chamou a medida de “questionável” e afirmou que ela “protege e premia os criminosos do Master, do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], da [Operação] Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu”.








