A sensação de sede tende a diminuir com o envelhecimento, o que pode fazer com que pessoas idosas bebam menos líquidos sem perceber. Por isso, a ingestão não deve depender apenas da sede, que pode aparecer quando a desidratação já está instalada.
De acordo com a Dra. Karoline Fiorotti, médica e professora de Geriatria na Afya Educação Médica Vitória, os receptores que identificam a falta de água no organismo ficam menos sensíveis ao longo dos anos. O envelhecimento também altera a capacidade de manter o equilíbrio hídrico, em parte por mudanças hormonais e pelo uso de algumas medicações.
O Ministério da Saúde recomenda oferecer líquidos regularmente, mesmo quando não há sede, preferencialmente em pequenas quantidades e em diferentes momentos. A necessidade, porém, varia conforme doenças, medicamentos, atividade física, temperatura ambiente e outras condições de saúde. Pessoas com orientação médica para restringir líquidos não devem aumentar o consumo por conta própria.
Por que o risco de desidratação aumenta
A desidratação ocorre quando o corpo perde mais água do que consegue repor. Baixa ingestão de líquidos, suor excessivo, febre, vômitos e diarreia estão entre as possíveis causas. Nos idosos, o risco também pode ser ampliado pela menor capacidade de concentrar a urina, pelo uso de diuréticos e por dificuldades para chegar ao banheiro.
Alterações de memória, dependência de cuidadores e problemas de locomoção podem levar a pessoa a reduzir voluntariamente o consumo para evitar idas frequentes ao banheiro. Para diminuir esse comportamento, é possível facilitar o acesso ao banheiro e deixar os recipientes em locais seguros e ao alcance.
Tontura, fraqueza, confusão, alteração do estado mental, redução da quantidade de urina e constipação podem estar relacionados à desidratação, principalmente quando aparecem juntos. Mudanças repentinas, como sonolência ou desorientação, também merecem atenção. Vômitos, diarreia e febre exigem cuidado redobrado, pois a perda de líquidos pode ocorrer rapidamente.
Medidas para incentivar o consumo
A Dra. Karoline Fiorotti recomenda não esperar que a pessoa idosa peça água. Entre as medidas que podem ser incorporadas à rotina estão:
- manter uma garrafa ou um copo em locais visíveis e de fácil acesso;
- oferecer líquidos regularmente, inclusive entre as refeições e durante as atividades;
- lembrar a pessoa de beber mesmo quando ela não estiver com sede;
- posicionar os recipientes de modo que possam ser alcançados com segurança;
- oferecer, quando não houver restrições, água de coco, sucos, chás e água saborizada;
- incluir alimentos ricos em água, como melancia e melão;
- observar se há dificuldade para chegar ao banheiro;
- organizar a oferta durante o período em que a pessoa estiver acordada e, quando adequado, reduzir a quantidade perto do horário de dormir.
A água deve ser a principal fonte de hidratação. Outras opções podem contribuir para a ingestão quando não houver contraindicações, sempre de acordo com as necessidades individuais e as restrições orientadas pela equipe de saúde.









