Política

Diferenças de QI entre homens e mulheres não indicam superioridade geral

Especialista explica como variabilidade estatística, comportamento e identificação da superdotação influenciam a presença de homens e mulheres nos extremos do QI.

Diferenças de QI entre homens e mulheres não indicam superioridade geral

A diferença de QI entre homens e mulheres não permite concluir que um dos grupos tenha inteligência geral superior. De acordo com Flávia Ceccato, terapeuta e pesquisadora do Centro de Pesquisas e Análise Heráclito (CPAH), as médias de inteligência são muito próximas, mas pode haver diferenças na variabilidade dos resultados e na forma como pessoas com altas habilidades são identificadas.

A variabilidade indica o quanto os resultados se dispersam em relação à média. Quando essa dispersão é maior, proporcionalmente mais homens podem aparecer nos extremos da distribuição, tanto entre pontuações muito baixas quanto entre as muito altas. Quanto mais rigoroso o critério para definir um QI excepcionalmente elevado, como 145 ou 160, maior pode ser a diferença proporcional entre homens e mulheres nesses grupos.

Isso não equivale a uma média geral de inteligência mais alta entre os homens. Segundo Ceccato, a presença masculina maior em determinados grupos de superdotação pode resultar da combinação entre características estatísticas e fatores sociocomportamentais.

Meninas também podem não demonstrar os mesmos comportamentos que levam pais e professores a perceber precocemente uma capacidade intelectual excepcional. Com isso, algumas podem ser menos encaminhadas para avaliações ou ter suas habilidades interpretadas de outras formas.

A maneira de expressar a superdotação também varia. Homens podem tornar suas capacidades mais visíveis por meio de assertividade, competitividade, confronto intelectual, busca por novidades ou demonstração de tédio. Mulheres podem apresentar maior modulação social, autocobrança, perfeccionismo, internalização de dificuldades e, em certos casos, ocultação da própria competência para preservar o sentimento de pertencimento.

Para a pesquisadora, o sexo isoladamente não prevê o comportamento de uma pessoa superdotada. Personalidade, ambiente familiar, cultura, experiências e outras características individuais podem ter papel mais determinante.

A testosterona participa da organização e da modulação do cérebro e pode estar associada a aspectos da cognição espacial, motivação, competitividade e tomada de decisão. Estudos citados por Ceccato, porém, não demonstraram que o aumento desse hormônio, por si só, produza uma inteligência geral maior.

Também há diferenças nas trajetórias de maturação cortical entre homens e mulheres, inclusive em áreas do córtex pré-frontal. A região dorsolateral está relacionada à memória de trabalho, ao controle executivo e ao raciocínio, mas não há demonstração robusta de que uma característica específica dessa área no cérebro masculino resulte em maior inteligência geral.

O QI depende da atuação de redes distribuídas pelo cérebro, da integração entre regiões, da conectividade neural, da eficiência dos processos cerebrais, de fatores genéticos e das influências ambientais acumuladas ao longo da vida. Por isso, não é possível explicar a inteligência por uma única área cerebral ou por um único hormônio.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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