RIO DE JANEIRO — Declarações de Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio pelo PSD, foram classificadas como fato ou não totalmente corretas em uma checagem realizada após sabatina nesta sexta-feira (11). A entrevista começou às 10h30 e durou 1h30.
Segurança pública e sistema penitenciário
Foi considerada correta a afirmação de que quatro secretários ligados ao governo do PL no Rio foram presos ou investigados por relações com organizações criminosas. Allan Turnowski, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi preso em 2022 e responde em liberdade após denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Raphael Montenegro, então secretário estadual de Administração Penitenciária, foi preso em 2021.
Alessandro Pitombeira Carracena ocupou as secretarias estaduais de Esporte e Lazer e de Defesa do Consumidor, além de ter sido secretário municipal de Ordem Pública na gestão Marcelo Crivella. Ele está preso desde setembro de 2025. Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual de Governo, também foi preso. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal voltou a decretar sua prisão preventiva.
Também foi considerada correta a declaração sobre a nomeação de Marcus Vinícius Amim Fernandes para chefiar a Polícia Civil. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro alterou a Lei Orgânica da corporação, reduzindo a exigência anterior de pelo menos 15 anos como delegado. Amim comandou a Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024 e, depois, passou a coordenar a segurança da Assembleia. Em julho de 2026, foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal.
A afirmação sobre o déficit no sistema penitenciário também foi classificada como fato. Segundo a Secretaria de Polícia Penal, faltam cerca de 19 mil vagas, e apenas 8 das 47 unidades prisionais não apresentam déficit.
Já a declaração de que o Rio é o estado que mais gasta em segurança pública foi considerada parcialmente incorreta. Em 2025, o estado empenhou R$ 17,37 bilhões na área, ficando em quarto lugar por habitante e em segundo em valores absolutos, atrás de São Paulo, que gastou R$ 18,38 bilhões. A segurança representou 14,9% das despesas do Rio, o maior percentual entre os estados, conforme o anuário citado na checagem.
Educação e Ideb
A frase de que o Rio tem o pior Ideb do Brasil não foi considerada totalmente correta. No ensino médio da rede estadual, o estado registrou 3,7 em 2025, empatado com Amazonas, Roraima e Amapá e acima apenas do Distrito Federal, com 3,6. O resultado fluminense subiu de 3,3 em 2023 para 3,7 em 2025.
São Gonçalo também não ficou na penúltima posição do Ideb 2025 nos anos iniciais da rede municipal. O município registrou 4,9, empatado com Duque de Caxias e atrás apenas de outros dois municípios fluminenses. Japeri teve 4,3, e Belford Roxo, 4,8. Nos anos iniciais, São Gonçalo avançou de 4,5 em 2023 para 4,9 em 2025.
Paes também afirmou que Goiás teve o melhor Ideb e que o Rio gasta o dobro por aluno em comparação com o estado. A diferença de gastos foi considerada próxima da realidade: R$ 19.580 por aluno ao ano no Rio, contra R$ 10.704 em Goiás, uma diferença de 83%. Goiás, porém, não liderou o resultado mais recente do Ideb. O Paraná ficou com 5,1, e Goiás, com 5,0.
Alianças políticas e prefeitura
A declaração sobre o apoio de Antonio Rueda foi classificada como não totalmente correta. A federação União Progressista declarou neutralidade na disputa pelo governo do Rio, mas Rueda, presidente nacional do União Brasil, participou de agendas com aliados de Paes e declarou apoio ao candidato a senador Pedro Paulo, do PSD.
Foi considerada correta a afirmação de Paes sobre Chiquinho Brazão. Ele foi indicado pelo Republicanos para a Secretaria Especial de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio em 3 de outubro de 2023. Chiquinho deixou o cargo em 1º de fevereiro de 2024, após ser exonerado pela prefeitura.
A checagem também classificou como fato a declaração sobre o endividamento municipal. A relação entre a dívida do Rio e sua receita corrente líquida variou de 35% a 48% nos últimos anos. Em 2024, a dívida líquida consolidada era de R$ 16,94 bilhões, diante de receita de R$ 34,89 bilhões. Em 2025, a dívida caiu para R$ 13,25 bilhões, enquanto a receita chegou a R$ 36,96 bilhões.
A série de sabatinas também entrevistou Douglas Ruas, William Siri e Anthony Garotinho nos dias 8, 9 e 10 de setembro, respectivamente. A entrevista de Eduardo Paes ocorreu em 11 de setembro.








