Política

Bab el-Mandeb ganha importância após fechamento de Ormuz e avanço houthi

Estreito entre o Iêmen e o Chifre da África é uma rota essencial para o transporte de petróleo e mercadorias entre a Ásia e a Europa.

Bab el-Mandeb ganha importância após fechamento de Ormuz e avanço houthi

O avanço dos rebeldes houthis no Iêmen aumentou a ameaça ao tráfego marítimo pelo Estreito de Bab el-Mandeb, rota que conecta a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez. A passagem ganhou importância para a Arábia Saudita após o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã.

Nesta quinta-feira 10, os houthis tomaram Moca, cidade portuária localizada 70 km ao norte de Bab el-Mandeb. Em resposta, a Arábia Saudita, aliada do governo iemenita, realizou dezenas de ataques aéreos com caças F-15 e Typhoon. Os combates entre os insurgentes e os sauditas deixaram centenas de mortos em ataques e represálias.

Uma rota entre a Ásia e a Europa

O nome Bab el-Mandeb significa “Porta dos Lamentos” em árabe. O estreito separa o Iêmen do Chifre da África e tem aproximadamente 100 quilômetros de extensão e 30 quilômetros de largura. A passagem fica entre Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti, pontos que marcam a transição entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.

Petroleiros e navios mercantes vindos da Ásia usam a rota para chegar ao Mar Vermelho, ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo. Os houthis ainda não controlam diretamente todo o litoral próximo ao estreito, mas passaram a controlar Moca e o porto de Hodeida, mais ao norte. Uma fonte militar também informou que o grupo tomou a ilha de Zuqar após ataques com foguetes e uma ação terrestre apoiada por embarcações.

Desde julho, os rebeldes mantêm um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e atacaram navios do país. O grupo nega que queira fechar Bab el-Mandeb ou cobrar direitos de trânsito. Para o Instituto para o Estudo da Guerra, a estratégia busca elevar o custo econômico e político do conflito para Riade e pressionar a monarquia saudita a interromper as operações militares.

Impacto sobre o petróleo

O estreito respondia por 12% do fluxo global de petróleo em 2023, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA. Com a redução do tráfego marítimo provocada pelos ataques houthis, a Arábia Saudita ampliou as exportações pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar Ormuz.

As exportações de Yanbu alcançaram média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, aproximadamente cinco vezes o nível pré-guerra. Em agosto, porém, caíram para 1,5 milhão de barris por dia após a retomada dos ataques a navios sauditas.

O tráfego pelo Canal de Suez caiu drasticamente em 2024 e, entre janeiro e agosto de 2026, ficou pouco acima da metade do nível pré-crise. Para Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College London, “o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente”. Na quinta-feira, o Brent superou os 106 dólares o barril, maior nível desde maio.

A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e ações de represália de Teerã. Inicialmente neutros, os houthis permitiram em julho o pouso de uma aeronave iraniana no Iêmen, apesar do controle saudita do espaço aéreo. A reação do governo apoiado por Riad rompeu o cessar-fogo acordado em 2022 e intensificou os ataques contra navios e território sauditas.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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