O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os alertas sobre os riscos da inteligência artificial e defendeu a continuidade do desenvolvimento da tecnologia. Ele afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China no setor e que a liderança em IA é estratégica para o país.
“Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim, porque quem vencer na IA vence”, disse Trump a jornalistas. O presidente afirmou que salvaguardas podem ser implementadas, mas questionou a atuação de pessoas que, segundo ele, estariam levantando preocupações que não deveriam apresentar.
O debate ganhou força depois de Dario Amodei, CEO da Anthropic PBC, pedir que as empresas desacelerem o ritmo de desenvolvimento. Ele defendeu coordenação entre companhias e governos e afirmou que a Anthropic adotará medidas adicionais de segurança, incluindo avaliações independentes. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk, que dirige a xAI Corp., apoiaram a proposta.
Debate sobre regulação
Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, disse que as medidas sugeridas por Amodei podem servir de referência para o setor privado. Ele citou a possibilidade de observadores independentes terem acesso aos modelos e classificou a segurança em IA como um problema solucionável. Hassett também afirmou que a tecnologia pode avançar a ponto de superar defesas de cibersegurança existentes, embora as empresas estejam criando novas proteções.
No Congresso, o senador Chris Coons defendeu uma atuação conjunta entre republicanos e democratas para estabelecer salvaguardas. “Precisamos de um acordo entre republicanos e democratas no Congresso para deixar de lado as disputas partidárias pré-eleitorais e estabelecer salvaguardas reais antes que a IA saia do controle”, disse Coons.
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que os democratas discutiriam possíveis medidas sobre IA em uma reunião de bancada. O presidente da Câmara, Mike Johnson, defendeu uma parceria entre o governo e as empresas de tecnologia. Para ele, as companhias têm responsabilidade corporativa pela segurança de seus produtos.
Amodei também disse que pode haver espaço para regulação governamental. David Sacks, ex-czar de IA de Trump e copresidente do conselho consultivo de tecnologia do governo, sustentou que as empresas não precisam de autorização oficial para desacelerar ou adotar práticas mais responsáveis.
A possibilidade de cooperação com empresas chinesas e com o governo de Pequim permanece incerta. Amodei afirmou que um acordo de longo prazo poderia estabelecer um limite para a velocidade de avanço da IA, mas reconheceu dificuldades de verificação e a influência das vantagens militares na competição tecnológica.
As preocupações também envolvem o impacto dos novos data centers sobre recursos locais, o possível aumento das contas de energia e a redução de empregos. Paralelamente, investidores avaliam se os grandes aportes em inteligência artificial e infraestrutura relacionada produzirão retorno, o que tem deixado ações de alta valorização ligadas ao setor mais vulneráveis a vendas nas bolsas.








