Moradores de diferentes regiões da Rússia relatam o recebimento de convocações para escritórios de alistamento militar e episódios de recrutamento forçado nas ruas. Os casos alimentam o temor de uma nova mobilização para a guerra na Ucrânia, embora Vladimir Putin e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, neguem que exista uma convocação em preparação.
Em 1º de setembro, Putin classificou os rumores como um “ataque informacional” contra o país. Dois dias depois, durante o Fórum Econômico de Vladivostok, voltou a dizer que não havia necessidade de convocação em massa. Peskov também tem rejeitado repetidamente as informações, classificando-as como notícias falsas.
As notificações recebidas por cidadãos são apresentadas, em muitos casos, como pedidos de “verificação de dados”. A justificativa está prevista na legislação para o comparecimento a escritórios de alistamento, mas não significa, por si só, envio imediato ao front.
Desde junho, moradores da região de Penza denunciam que homens são levados à força a escritórios militares e pressionados a assinar contratos com as Forças Armadas. Familiares e vizinhos organizaram protestos contra a prática.
A jornalista Lena Lemyasova, do veículo investigativo Vazhnye Istorii, relatou que as abordagens ocorrem principalmente perto das entradas de prédios. “As pessoas estão sendo detidas, principalmente perto das entradas de seus prédios”, afirmou. Segundo ela, os detidos podem ser levados sem que seus familiares recebam informações até surgirem notícias de transferência para unidades militares e, depois, para a linha de frente.
O receio também levou parte da população a deixar o país antes de possíveis restrições de saída. Um cidadão contou que um conhecido “deixou a Rússia há dois meses depois de receber uma convocação para verificação de dados do escritório de alistamento militar”.
O advogado russo Timofei Vaskin afirmou que a distribuição de ordens de mobilização aumentou expressivamente no primeiro semestre de 2026. Esses documentos obrigam ao comparecimento apenas se uma mobilização for declarada. Segundo Vaskin, passaram a ser distribuídos na casa das centenas de milhares, enquanto as consultas jurídicas sobre o tema cresceram na casa de dezenas de vezes.
O decreto de mobilização parcial editado pela Rússia em 2022 continua tecnicamente válido. Também aumentaram as vagas ligadas à preparação para mobilizações: em 8 de agosto, havia 40 em Moscou e região e 13 em São Petersburgo. No fim de julho, foram contabilizadas 197 vagas em todo o país com o termo “preparação para mobilização” e mais de 2,6 mil relacionadas a “registro militar”. Para o advogado Artem Klyga, o movimento indica uma preparação burocrática para possíveis decisões de Putin.








