O ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, defendeu a união de forças de centro e centro-direita em torno de um único candidato para enfrentar Marine Le Pen nas eleições presidenciais de 2027. Para ele, a fragmentação da disputa é um dos principais obstáculos à estratégia contra a extrema-direita.
Haddad afirmou estar confiante de que os eleitores franceses rejeitarão uma candidatura extremista, mas disse que a corrida ainda está aberta. A primeira volta está marcada para 18 de abril de 2027, e a segunda, caso nenhum candidato alcance a maioria, para 2 de maio de 2027.
Sondagens e cenário eleitoral
Uma sondagem da Elabe para a BFMTV/La Tribune Dimanche apontou Le Pen à frente, com previsão de entre 34% e 35,5% dos votos na primeira volta. Presidente do partido Reunião Nacional, ela foi autorizada a concorrer em julho, embora um tribunal de recurso tenha confirmado uma condenação por desvio de fundos.
Haddad disse que não confia nas sondagens e citou a trajetória de Emmanuel Macron. Antes das presidenciais de 2017, Macron passou do terceiro lugar nos levantamentos, depois de anunciar a candidatura em novembro de 2016, e ultrapassou temporariamente Le Pen nas semanas anteriores à votação. Na primeira volta, em abril de 2017, obteve 24% dos votos. Na segunda, venceu com 66%, contra 34% de Le Pen. Em 2022, Macron voltou a vencer, por 59% a 41%.
“Precisamos de nos unir em torno de um candidato”, afirmou Haddad, ao mencionar a existência de cerca de 30 nomes interessados em concorrer. Entre os possíveis candidatos estão Gabriel Attal, do Renascimento, Édouard Philippe, do Horizons, e Bruno Retailleau, de Os Republicanos. À esquerda, são citados Jean-Luc Mélenchon, Marine Tondelier e Raphaël Glucksmann.
União Europeia e resposta à extrema-direita
Haddad disse que os franceses são profundamente ligados à Europa e associou Le Pen a posições que, no passado, defendiam a saída da França da União Europeia e da zona do euro. Atualmente, segundo ele, a líder mantém uma postura eurocética, com propostas de reduzir a contribuição francesa para o orçamento europeu e eliminar normas, mas não defende explicitamente um referendo sobre a permanência no bloco.
O ministro afirmou que o populismo ganha força diante de incertezas globais, como a pressão comercial da China, o questionamento de alianças tradicionais e a guerra de agressão russa no continente europeu. Ele disse, porém, que o extremismo não oferece a resposta adequada e que a França não será mais forte isolada diante das pressões da China, dos Estados Unidos e da Rússia.
Para Haddad, partidos adversários da extrema-direita precisam apresentar resultados em temas como migrações, segurança, competitividade, prosperidade e defesa dos europeus contra ameaças externas. Ele também citou a necessidade de fazer campanha, ouvir os eleitores e responder às suas preocupações.
Em 2024, o partido de Le Pen venceu as eleições europeias na França com mais do dobro dos votos do partido de Macron, o que levou o presidente a convocar eleições legislativas antecipadas. Haddad reconheceu que o resultado refletiu a força do populismo, mas disse esperar a formação, até o final do ano, de uma candidatura capaz de reunir o centro e o centro-direita.








