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Seca reduz colheitas e eleva deslocamentos com avanço do El Niño na América Latina

Perdas de milho e feijão na América Central ocorrem enquanto o Peru enfrenta queda histórica na pesca da anchova.

Seca reduz colheitas e eleva deslocamentos com avanço do El Niño na América Latina

A seca associada ao El Niño destruiu colheitas e reduziu o acesso à água no corredor seco da América Central, que reúne Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua. O impacto atinge cerca de 10 milhões de pessoas, em sua maioria dependentes da agricultura de subsistência.

Entre 73 mil propriedades que plantaram milho no primeiro ciclo de 2026, aproximadamente 70 mil informaram perdas severas. O feijão também foi afetado, e mais de 23 mil famílias relataram redução no acesso às fontes de água. O levantamento analisou 354 grupos comunitários, correspondentes a 91 mil famílias rurais, em 58 municípios dos três primeiros países da lista.

“Observamos uma perda generalizada das colheitas devido à seca provocada pelo El Niño”, afirmou Iván Aguilar, responsável humanitário da Oxfam na América Central. Segundo ele, 78,6% das famílias avaliadas perderam praticamente toda a produção. As plantações de café também foram destruídas, reduzindo a oferta de trabalho no campo.

Pressão sobre alimentos e migração

A quebra da produção veio acompanhada da alta dos preços. Entre julho-agosto de 2025 e julho-agosto de 2026, os alimentos básicos subiram de 11% a 54% na Guatemala, de 12% a 40% em Honduras e até 85% em El Salvador, no caso do açúcar. Dezenas de milhares de famílias passaram a precisar de ajuda alimentar ou financeira.

O relatório registrou 6.212 movimentos migratórios envolvendo pelo menos um integrante da família entre maio e julho de 2026. Vinte por cento tiveram caráter internacional. Em Jocotán, no sul da Guatemala, o agricultor José Hernández relatou que a falta de chuva levou à perda total das plantações em sua comunidade.

Pesca peruana em queda

No Peru, o aquecimento do oceano comprometeu a pesca da anchova. O Instituto do Mar registrou temperaturas até 6 °C acima da média em algumas áreas marítimas. Como a espécie se reproduz em águas frias e ricas em nutrientes, os cardumes migraram para áreas profundas, fora do alcance das redes.

A temporada foi encerrada pelo governo em 19 de agosto. Em maio de 2026, foram capturadas apenas 32.800 toneladas, ante 1,3 milhão de toneladas em maio de 2025. Cerca de 8 mil pescadores industriais estão registrados, além dos trabalhadores envolvidos em atividades em terra.

No porto de Callao, dezenas de embarcações permanecem paradas. “As empresas não nos ajudam. Não recebemos nada, nem do Estado”, disse Pedro Martin, representante de um sindicato de pescadores. Parte dos trabalhadores passou a atuar como taxista, entregador de comida ou em outras atividades.

Fenômeno deve atingir pico em dezembro

A Organização Meteorológica Mundial prevê o pico do El Niño para dezembro e aponta probabilidade próxima de 100% de manutenção do fenômeno até fevereiro de 2027. Em algumas áreas, as temperaturas da camada subsuperficial do oceano ficaram 8 °C acima da média para agosto.

O episódio é classificado por especialistas como “Super Niño”. Três ocorrências desse tipo foram registradas desde o início das medições modernas: 1982-83, 1997-98 e 2015-16. O fenômeno também está associado a seca e calor na América Central, no Caribe e no norte da Colômbia e da Venezuela, enquanto chuvas fortes atingem áreas do Equador, Peru, Chile, sul do Brasil, Uruguai, Paraguai e norte da Argentina.

No Panamá, a falta de chuvas levou as autoridades do Canal a reduzir o tráfego marítimo. A Organização Internacional do Trabalho alertou para os efeitos sobre emprego, renda e proteção social na América Latina, especialmente em economias com grande informalidade.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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