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Kernza amplia testes nos EUA enquanto pesquisadores buscam lavouras mais resistentes

Cereal perene pode reduzir o replantio e proteger o solo, mas ainda enfrenta baixa produtividade, colheita difícil e mercado inicial.

Kernza amplia testes nos EUA enquanto pesquisadores buscam lavouras mais resistentes

A expansão da Kernza, um cereal perene desenvolvido nos Estados Unidos, reúne agricultores e pesquisadores interessados em reduzir os efeitos da seca, das chuvas intensas e da degradação do solo. A cultura permanece produtiva por vários anos e pode ser usada na recuperação de áreas agrícolas, embora ainda enfrente obstáculos para ser adotada em larga escala.

A experiência de David Mueller ilustra uma das aplicações estudadas. Há cinco anos, ele plantou um campo de 12 acres (5 hectares) de Kernza. Desde 2018, a área cultivada por ele com o cereal chegou a quase 100 acres (40 hectares), principalmente em terrenos com problemas de drenagem ou que precisavam recuperar matéria orgânica. A propriedade fica em Halstead, no Kansas, e também inclui cerca de 600 acres (243 hectares) de milho e uma área equivalente de soja.

Mueller afirma que a Kernza utiliza cerca de um terço do fertilizante necessário ao trigo. Como o plantio não precisa ser repetido todos os anos, a cultura também diminui a frequência de uso de máquinas agrícolas movidas a combustíveis fósseis. “Não só conseguimos aproveitar esses acres com lucro, como também enriquecemos o solo e trabalhamos para que, no futuro, seja rentável produzir outras culturas nesses campos”, disse.

Raízes profundas e menor revolvimento

Cereais perenes não precisam ser plantados, colhidos e semeados novamente a cada safra. Depois de instalados, continuam produtivos durante vários anos e são renovados apenas periodicamente. Seus sistemas radiculares podem alcançar vários metros de profundidade, permitindo buscar água em camadas mais profundas durante períodos curtos de estiagem.

Quando ocorrem chuvas fortes, as raízes mais extensas ajudam a absorver o excesso de água e reduzem o escoamento responsável pela erosão. Elas também levam mais carbono para o solo, onde esse material tende a ficar menos exposto a perturbações. Laura van der Pol, principal ecóloga de solos do The Land Institute, afirma que o cultivo anual pressiona a formação do solo, um processo que leva milhares de anos.

Um relatório das Nações Unidas de 2024 estima que a degradação dos solos pode provocar mais de 20 biliões de dólares em perdas para a economia mundial até 2050. Para van der Pol, a inclusão de plantas perenes na agricultura é necessária para manter a produção de alimentos e a disponibilidade de solo para as próximas gerações.

Pesquisa ainda em fase inicial

O The Land Institute, em Salina, no Kansas, desenvolve a Kernza e outras versões perenes de trigo, arroz, sorgo e oleaginosas. A domesticação da Kernza começou formalmente em 2001. Agricultores do Sudeste Asiático e de partes da África já plantam e colhem arroz perene, enquanto a Kernza é considerada a cultura mais avançada do programa. Sua primeira colheita comercial em uma propriedade agrícola ocorreu em 2010.

No ano passado, a Kernza ocupou 3 511 acres (1 421 hectares) nos Estados Unidos. No mesmo país, foram colhidos ou semeados 37,2 milhões de acres (15,1 milhões de hectares) de trigo de inverno, de primavera e Durum em 2025-26.

A diferença de escala acompanha limitações técnicas e econômicas. Lee DeHaan, responsável pelo programa de domesticação da Kernza, afirma que os agricultores obtêm entre 20% e 40% da produção de trigo que alcançariam na mesma região. A planta precisa dividir energia entre a formação das sementes e o desenvolvimento das raízes que permitem sua permanência por vários anos.

Pesquisadores da Universidade Cornell também identificaram dificuldades na instalação dos campos. No primeiro ano, a Kernza disputa espaço com muitas ervas daninhas, e a densidade ideal de sementes para elevar a produção ainda está em estudo, segundo Matthew Ryan, professor de sistemas de cultivo sustentáveis da instituição.

Agricultores avaliam riscos e custos

A colheita é outro ponto de atenção. O grão da Kernza é menor que o do trigo, e agricultores e pesquisadores ainda testam adaptações nas máquinas para evitar danos durante o trabalho. Mueller relata que variedades novas têm produzido mais que as anteriores, mas a produtividade pode cair conforme a cultura envelhece. No arroz perene, as produções são semelhantes às do arroz anual, de acordo com representantes do The Land Institute.

Bryce Black acompanha o desenvolvimento do cereal enquanto enfrenta perdas provocadas pelo clima. Ele havia plantado 1 800 acres (728 hectares) de trigo de inverno após uma chuva tardia em outubro do ano passado, mas um inverno e uma primavera secos levaram a uma seca extrema durante o período de desenvolvimento da lavoura. Black colheu cerca de 1 500 acres (607 hectares), com a menor produção desde que assumiu a propriedade da família, em 2017.

Na fazenda de 4 500 acres (1 821 hectares), onde também produz milho, soja e milo, uma variedade de sorgo, o agricultor considera atraente a possibilidade de semear uma cultura que permaneça no campo por vários anos. “Se conseguirmos semear alguma coisa e depois não tivermos de voltar lá durante quatro ou cinco anos… isso pouparia imenso dinheiro, imensa mão de obra, tudo”, afirmou.

Para Matthew Ryan, perdas causadas por secas ou grandes inundações podem estimular a busca por sistemas agrícolas mais resistentes. Os projetos-piloto em diferentes regiões, climas e tipos de solo ainda estão no começo, e a adoção depende de avanços na produtividade, na colheita e no mercado.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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