O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, avalia uma aproximação maior com a União Europeia, incluindo a possibilidade de criar um estatuto de membro associado do bloco. A modalidade não existe atualmente, mas responsáveis europeus e canadenses indicam que fórmulas especiais de associação podem ser consideradas. A Comissão Europeia não comentou a hipótese.
Carney fará um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na quinta-feira. A expectativa é que apresente sua visão para as relações entre Canadá e União Europeia em um cenário de tensões geopolíticas e de agravamento das relações entre Ottawa e Washington.
Comércio, energia e tecnologia
Canadá e União Europeia discutem o aumento das trocas de bens, serviços e trabalhadores. Entre as áreas citadas estão energia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos. Também estão em análise projetos conjuntos de cabos submarinos, centros de dados, infraestrutura de computação em nuvem e redes de satélites.
O governo canadense pretende ainda ampliar as exportações de energia para a Europa. Uma eventual associação, porém, enfrentaria as regras de adesão da União Europeia e um processo longo para modificar os atuais enquadramentos do bloco.
A proposta pode ganhar espaço diante da guerra comercial entre Canadá e Estados Unidos, que tem tarifas elevadas em vigor e não apresenta sinais de desescalada. O chanceler alemão Friedrich Merz apresentou, no início do ano, um modelo de membro associado inicialmente pensado para a Ucrânia, mas que poderia ser aplicado ao Canadá sem exigir adesão plena.
Visita conjunta a Saint-Pierre e Miquelon
Na próxima semana, Carney viajará com o presidente francês, Emmanuel Macron, para Saint-Pierre e Miquelon, território francês situado a cerca de 20 km da costa atlântica canadense. Paris afirma que a visita destacará a proximidade entre França e Canadá em um período de tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump publicou, na segunda-feira, uma imagem de um mapa da América do Norte com a bandeira americana sobre Saint-Pierre e Miquelon, Guadalupe, Martinica, Islândia, Groenlândia, México, Canadá e grande parte da América Central e do Caribe.
O Palácio do Eliseu afirmou que a viagem ressaltará valores compartilhados, como liberdade, democracia, Estado de direito e respeito à soberania dos Estados. Será a primeira visita de um primeiro-ministro canadense ao arquipélago. O último presidente francês a viajar para o território foi François Hollande, em 2014.








