ADEN — A captura das últimas ilhas do estreito de Bab el-Mandeb ampliou o controle dos Houthis sobre a costa do mar Vermelho e aumentou a pressão sobre Aden, capital provisória do governo reconhecido internacionalmente. A tomada foi anunciada na sexta-feira (11), em meio à intensificação dos ataques entre os rebeldes e a Arábia Saudita.
A ONU informou que ao menos 76 mil pessoas deixaram suas casas desde julho. O número quadruplicou na última semana. Mais de 70 mil fugiram apenas desde setembro, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que alertou para uma crise de deslocamento e informou que estoques de emergência já haviam sido esgotados após operações para enfrentar enchentes.
Pressão sobre Aden
A cidade passou a ser a capital provisória em 2014, depois que os Houthis tomaram Sanaa. Desde então, sua população dobrou com a chegada de pessoas que deixaram áreas sob controle rebelde em busca de segurança e trabalho. Aden também recebe migrantes da África que tentam chegar às monarquias do Golfo, mas permanecem retidos no Iêmen.
Em 2025, Aden tinha 755 mil deslocados oficialmente registrados, dentro de uma população estimada de 3,5 milhões, de acordo com o Ministério de Assuntos Sociais e Trabalho. A nova tomada no estreito deve elevar a demanda sobre água, saneamento, eletricidade e saúde, enquanto a ajuda humanitária diminui.
Saddam Ali deixou a região de al-Waziiyah com seus onze filhos e alguns pertences em uma caminhonete. Ao chegar a Aden, não encontrou abrigo. “Não achamos água nem comida, e o calor é sufocante”, disse.
A OIM apontou necessidades imediatas de abrigo, alimentos, água e itens básicos. Famílias chegam à cidade sem estrutura de acolhimento, enquanto organizações locais tentam atender à demanda com recursos limitados.
Fuga após avanço rebelde
Abdulalim Al-Rajihi saiu de Mokha, tomada pelos Houthis na quinta-feira. Ele relatou que moradores receberam apenas meia hora para deixar a cidade e fugiram levando as crianças e as roupas que vestiam. O avanço rebelde ocorreu depois que o Iêmen voltou à guerra em julho, interrompendo um período de relativa calma iniciado com a trégua de 2022.
A captura das ilhas também tem importância para o comércio marítimo, porque Bab el-Mandeb liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e conecta rotas que abastecem Europa, Ásia e Oriente Médio. Os Houthis afirmaram que a navegação continua segura para todas as companhias, exceto navios sauditas.
A Arábia Saudita fechou temporariamente o oleoduto Leste-Oeste após ataques. Os Houthis disseram ter sido alvo de dezenas de bombardeios sauditas. Segundo a agência Saba, cerca de quarenta bombardeios foram realizados pelo reino, e duas ofensivas atingiram o aeroporto de Mokha na sexta-feira.
A escalada ocorre em um país onde serviços públicos e estruturas de acolhimento já operam sob pressão. Para os deslocados que chegam a Aden, a cidade representa ao mesmo tempo uma rota de fuga e um local de espera sem abrigo, renda ou acesso regular a serviços essenciais.








