O spread do CDS de cinco anos do Brasil caiu 7,6% desde o início de agosto e chegou a 115,45 pontos-base na sexta-feira, no menor nível desde fevereiro de 2020. O indicador mede o custo de proteção contra um eventual calote da dívida, e a queda ocorreu mesmo com as atenções voltadas ao Supremo Tribunal Federal e à eleição presidencial.
Dados da S&P Global Market Intelligence mostram que o movimento contrariou recomendações anteriores de instituições que indicavam a compra do CDS brasileiro como proteção para o período eleitoral. A expectativa de uma disputa mais apertada pelo Palácio do Planalto abriu espaço para a redução de prêmios nos juros, na bolsa, no real e também nos contratos de risco de crédito.
Reservas e capacidade de pagamento
Rafael Basso, analista de crédito internacional da AZ Quest, afirma que investidores estrangeiros avaliam as reservas internacionais em relação ao estoque de dívida emitida em moeda forte para estimar a possibilidade de inadimplência. Na avaliação dele, os indicadores brasileiros estão em uma posição confortável.
Basso também atribui parte da resiliência do CDS à gestão da dívida soberana pelo Tesouro. Para ele, temas como a crise no STF, o Banco Master e a eleição são percebidos como ruídos institucionais, mas não alteram a capacidade de pagamento do país.
As contas fiscais continuam como ponto de atenção. O analista afirma que houve uma aceleração significativa da relação entre dívida e PIB no primeiro semestre deste ano, mas considera que a eleição em outubro reduz parte das preocupações. Segundo Basso, investidores estrangeiros veem um novo governo Lula como previsível, enquanto uma vitória da oposição poderia mudar a percepção sobre a responsabilidade fiscal.
Sazonalidade e demanda por CDS
A redução das posições de risco durante o período de férias no Hemisfério Norte também contribuiu para o comportamento do mercado. De acordo com Basso, investidores estrangeiros diminuíram suas posições relacionadas ao Brasil, inclusive as posições compradas em CDS, em um movimento que se repete anualmente.
Fundos de real money voltados a mercados emergentes têm preferido assumir exposição ao risco por meio da venda de CDS, em vez de comprar títulos de dívida, porque essa estratégia exige menos caixa. A estabilidade da classificação soberana, o ambiente externo favorável e o nível das reservas brasileiras também ajudaram a manter o indicador em patamares mais baixos.
Até o momento, os ruídos políticos domésticos não provocaram uma crise financeira com impacto sobre o crédito soberano.








