A Venezuela reúne cerca de 300 bilhões de barris em reservas comprovadas, mas produz atualmente aproximadamente 1,1 milhão de barris por dia. As estimativas do setor indicam que o país pode levar anos ou décadas para transformar esse volume disponível no subsolo em oferta regular ao mercado.
A Rystad Energy calcula que a produção só deve retornar ao antigo pico, próximo de 3 milhões de barris por dia, por volta de 2050. Para alcançar esse patamar, seriam necessários cerca de US$ 85 bilhões em investimentos, segundo a consultoria.
O cenário contrasta com os planos anunciados pelo governo de Donald Trump para acelerar a recuperação da indústria venezuelana. O acordo apresentado pelo governo americano envolve 17 campos, que concentram cerca de 65 bilhões de barris em reservas comprovadas.
A Casa Branca afirma que a North American Blue Energy Partners pretende aplicar até US$ 100 bilhões na expansão da produção. O governo dos Estados Unidos também teria 35% de participação na empresa, direito de comprar 20% da produção pelo preço de custo e preferência na aquisição dos demais 80%.
Projeções diferentes para a produção
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que a produção venezuelana pode ultrapassar 2 milhões de barris por dia até o final desta década. O volume representaria uma alta de cerca de 900 mil barris diários em relação ao nível atual.
A projeção da Rystad Energy é mais distante. Para a consultoria, a indústria venezuelana só alcançaria novamente um nível próximo de 3 milhões de barris por dia por volta de 2050.
A Chevron anunciou investimentos superiores a US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para elevar sua produção no país a aproximadamente 600 mil barris por dia. A Repsol também indicou que pretende ampliar sua presença na Venezuela. ExxonMobil e ConocoPhillips, que saíram do país após as nacionalizações promovidas pelo governo de Hugo Chávez em 2007, mantêm cautela sobre um possível retorno.
Infraestrutura e impasses políticos
A capacidade de expansão é limitada por anos de subinvestimento, sanções e interrupções de energia. A recuperação depende de recursos para instalações de produção e transporte, além de conhecimento técnico e estabilidade política.
Outro obstáculo envolve os campos que seriam transferidos para empresas dos Estados Unidos. Parte deles era administrada anteriormente por companhias russas e chinesas, e o UBS avalia que a mudança pode provocar disputas jurídicas.
Também há divergências sobre a duração das concessões. Washington menciona contratos de cem anos, enquanto o governo de Delcy Rodríguez fala em uma cessão preferencial de 25 anos. O Citi considera que maior transparência e legitimidade política seriam necessárias para que os acordos resistissem a uma eventual mudança no governo americano. O arranjo também enfrenta críticas de setores da oposição venezuelana e do chavismo.








