O mercado financeiro passou a considerar mais equilibrada a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A mudança reduziu o clima de pessimismo predominante no fim de julho e aumentou, entre investidores, a expectativa de alteração na condução da política econômica a partir do próximo ano.
A percepção de uma disputa próxima, com probabilidades próximas de 50/50 entre a reeleição de Lula e uma vitória da oposição, ganhou força após novas pesquisas de intenção de voto e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao caso Master. O movimento ocorreu mesmo com um cenário externo adverso e juros globais ainda em nível de estresse.
Na semana passada, o dólar recuou 1,27% no acumulado e chegou a ficar abaixo de R$ 5,10 em alguns momentos. O Ibovespa avançou 5,40% e alcançou 188 mil pontos na máxima. No mercado de juros, as taxas de longo prazo tiveram forte redução dos prêmios, mesmo depois de um leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, sinalizando demanda pelos papéis da dívida pública.
A mudança de avaliação aparece nas cartas divulgadas por gestoras de recursos no início do mês. As instituições passaram a incorporar com mais intensidade o chamado trade eleitoral e a trabalhar com uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na Ace Capital, Flávio é tratado como favorito. A gestora aumentou a exposição à bolsa brasileira, manteve posições aplicadas em juros e posições vendidas em dólar contra o real. A Quantitas também aposta na valorização do câmbio e identifica uma reviravolta eleitoral no país.
A gestora relaciona sua avaliação à crise no STF, envolvendo as relações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e às pesquisas que passaram a apontar empate técnico entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno. “É razoável atribuir a Flávio Bolsonaro, pelo menos, 50% de chance de vitória, com viés de alta”, afirmaram profissionais da Quantitas.
A Medley Advisors também abandonou a avaliação anterior de que Lula era favorito. Para Mario Lima, responsável pela análise do Brasil, a vantagem do presidente desapareceu e as probabilidades se igualaram. “Mudamos nossa avaliação de uma vitória apertada de Lula para uma disputa em 50/50”, disse.
Na avaliação da consultoria, Flávio pode se beneficiar mais dos conflitos no STF. As acusações contra Moraes, por outro lado, são vistas como mais um obstáculo para Lula melhorar seus índices de aprovação, já que a maioria dos brasileiros associa o presidente ao Supremo.








