Ciência

OpenAI nega irregularidade após questionamento sobre prova de Navier-Stokes

Matemático da NYU questiona possível uso de dados em avanço anunciado pela empresa; OpenAI diz que não pode descartar essa hipótese.

OpenAI nega irregularidade após questionamento sobre prova de Navier-Stokes

A OpenAI anunciou na terça-feira (8) que sua inteligência artificial teria resolvido o problema de Navier-Stokes, um dos chamados Problemas do Milênio da matemática. A alegação provocou questionamentos de Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York (NYU), que investigava se dados de seu trabalho poderiam ter sido usados pela empresa.

Navier-Stokes descreve, em linhas gerais, o comportamento de fluidos viscosos. Buckmaster trabalhava na questão com Levent Alpöge, a partir de ideias dos pesquisadores Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa. A colaboração utilizava os modelos Claude, da Anthropic, e Codex, da OpenAI.

Alpöge é funcionário da Anthropic, mas Buckmaster afirma que a pesquisa era uma colaboração pessoal entre os dois, sem envolvimento oficial das empresas. De acordo com o matemático, o trabalho teve avanços concretos cerca de um mês antes do anúncio da OpenAI, depois de um período de progresso lento.

O contato com a OpenAI

Na quinta-feira (3), Buckmaster procurou um pesquisador da OpenAI para explicar que o projeto não tinha vínculo empresarial e esclarecer rumores sobre uma possível resolução atribuída à Anthropic. O funcionário respondeu que a empresa ficaria interessada em avanços feitos com seus modelos e poderia fornecer recursos computacionais.

Três dias depois, Buckmaster se reuniu com esse funcionário e com Sebastien Bubeck, também integrante da OpenAI. Segundo o matemático, foi informado de que a empresa havia avançado em Navier-Stokes. Ele estranhou a abordagem apresentada, por considerar improvável que uma solução desse tipo surgisse em poucos dias apenas com a apresentação do problema a um modelo de linguagem.

Buckmaster também relata que ouviu haver uma equipe da OpenAI trabalhando na questão com o Codex, enquanto Alpöge teria recebido a informação de que a intervenção humana havia sido limitada. Ao perguntar quando os testes começaram, teria sido informado de que as primeiras tentativas ocorreram poucos dias antes, após os rumores sobre o trabalho dos matemáticos chegarem à empresa.

O professor questionou se o modelo havia sido treinado com dados das sessões realizadas no Codex ou se a OpenAI tinha acesso a elas. Segundo ele, recebeu a resposta de que o modelo não consultava dados dos usuários, mas não obteve esclarecimentos sobre o uso dessas informações no treinamento.

Em uma postagem na rede X, a OpenAI afirmou que, embora considere improvável, não poderia descartar a possibilidade de dados anonimizados derivados do uso de seus produtos terem contribuído para aprimorar os modelos. A empresa também parabenizou Buckmaster e Alpöge pelo trabalho matemático.

Divergência sobre autoria e reunião

Buckmaster afirma que recebeu duas propostas. Uma previa que ele apresentasse o resultado de outro problema e que a OpenAI publicasse depois a resolução de Navier-Stokes. A outra permitiria que ele escrevesse um artigo sobre a questão, reconhecendo que um modelo interno da empresa havia resolvido o problema.

O matemático diz que recusou as propostas e afirmou que tornaria o caso público se a OpenAI divulgasse os resultados daquela maneira. Nesse momento, relata ter ouvido de um funcionário: “Por que você arruinaria sua carreira?” Segundo Buckmaster, a conversa prosseguiu com a frase: “Se você não quer que eu seja amigável, então não preciso ser”.

Ele também afirma que Bubeck queria excluir Alpöge da autoria por ele trabalhar na Anthropic. Buckmaster diz que não viu a prova produzida pela OpenAI e que não sabe o que o modelo fez nem como chegou ao resultado.

Bubeck apresentou uma versão diferente dos acontecimentos. Ele afirmou que nunca pediu a exclusão de Alpöge e que uma das possibilidades discutidas era Buckmaster assumir a autoria principal de uma versão revisada da prova da OpenAI. Segundo Bubeck, a observação sobre Levent ter vínculo com a Anthropic se referia à possibilidade de um funcionário da empresa assinar um trabalho da OpenAI.

O integrante da OpenAI também disse que Buckmaster o ameaçou com uma divulgação pública e classificou as acusações como infundadas. Ele afirmou ter dito que não entendia por que algo que deveria ser celebrado estava se transformando em uma disputa.

Buckmaster declarou que não acusa ninguém e que apenas relata o que ouviu e o que lhe foi proposto. O matemático afirmou ainda que preferia discutir as ideias de Córdoba e Martínez-Zoroa e os possíveis significados do trabalho para a matemática.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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