O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que foi submetido a monitoramento sistemático pela inteligência da Polícia Federal. A declaração consta da decisão que determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
De acordo com o documento, ao menos seis relatórios de inteligência foram produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026. O material teria sido encaminhado por Andrei Rodrigues ao ministro Alexandre de Moraes, também do STF.
Mendonça declarou que a produção dos relatórios ocorreu por uma unidade da Polícia Federal identificada como UADIP/CINQ/CGRC/DICOR/PF. Ele também afirmou que o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi alvo de coleta dirigida de informações.
“Este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da polícia federal”, escreveu Mendonça na decisão.
Encaminhamento dos documentos
Segundo o ministro, Alexandre de Moraes já teria recebido informações sobre a existência dos relatórios antes do encaminhamento formal do material. Mendonça afirmou que os documentos foram enviados para que ele fosse incluído no Inquérito das Fake News.
O encaminhamento teria sido feito por Andrei Rodrigues em ofício subscrito às 18h45 de 01/09/2026. Mendonça sustentou que o monitoramento ocorreu por mais de 30 dias e classificou a medida como ilícita por envolver um ministro do Supremo Tribunal Federal.
A decisão também questiona as conclusões registradas nos documentos sobre Jorge Messias. Conforme Mendonça, os relatórios usaram inferências genéricas e abstratas para afirmar que o advogado-geral da União não teria autorizado um pedido da Polícia Federal para recorrer de decisões relacionadas às investigações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.
A interpretação apresentada nos relatórios, segundo a decisão, seria a de que Messias teria agido para preservar uma relação política com o relator. Ao final, Mendonça afirmou que houve monitoramento e coleta dirigida sobre ele e sobre o advogado-geral da União.








