Brasília discute se um ministro do Supremo Tribunal Federal pode julgar um caso em que seu próprio nome aparece em mensagens do investigado. O debate envolve Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso.
Na terça, 1º, o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Vorcaro e Moraes. Mendonça também determinou que o processo fosse analisado em sessão pública pelo plenário do Supremo.
O documento registra mensagens enviadas por Vorcaro em 17 de novembro, horas antes de ele ser detido no aeroporto enquanto tentava embarcar para fora do país. Em uma delas, o banqueiro pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Dois dias antes, havia escrito: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Em outra mensagem, Vorcaro menciona Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, conforme a interpretação apresentada pela própria PF. O banqueiro pergunta se seria possível reverter a situação com os dois e classifica o caso como “Muita sacanagem isso”.
Também há uma mensagem em que Vorcaro agradece a Moraes e afirma ter uma “dívida de vida” com o ministro. O conteúdo passou a integrar a discussão sobre a possibilidade de Moraes atuar no julgamento do caso.
A perícia destacou que o relatório é composto majoritariamente por mensagens enviadas por Vorcaro, sem respostas de Moraes. A exceção registrada no documento envolve o dia 17 de novembro. O material tornado público por Mendonça colocou no plenário do Supremo a análise do processo e da relação descrita nas mensagens.








