O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para análise do plenário o relatório da Polícia Federal sobre mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. A decisão sobre incluir o caso na pauta ou arquivar o documento caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Mendonça havia solicitado um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e defendido que o assunto fosse analisado pelo plenário. Depois de receber a manifestação do procurador-geral Paulo Gonet, o ministro encaminhou o caso para a decisão de Fachin.
Gonet, que também foi mencionado nas mensagens de Vorcaro, considerou o relatório nulo. Na avaliação do procurador-geral, a Polícia Federal produziu o documento sem uma solicitação anterior da própria corporação ou do Ministério Público.
Como o relatório foi produzido
O documento foi elaborado por determinação de Mendonça para identificar os destinatários das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A PF concluiu que os textos eram dirigidos a Moraes.
As mensagens foram trocadas durante 13 dias. De acordo com o relatório, Vorcaro pediu a intervenção de Moraes para tentar impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Ele também perguntou como poderia reverter a situação e solicitou ajuda para sensibilizar autoridades.
Em 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero, Vorcaro perguntou a Moraes se havia alguma novidade. A PF informou que o banqueiro foi detido sob suspeita de tentativa de fuga, quando se preparava para embarcar em um jato particular para Dubai.
Em 16 de novembro, Vorcaro pediu que Moraes tentasse falar com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para atrasar uma operação. O banqueiro também buscou ajuda para marcar uma reunião com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, diante do receio de que o Master fosse liquidado extrajudicialmente.
As conversas também mencionam Paulo Gonet e Ricardo Soares Leite, juiz da primeira instância do Distrito Federal que assinou o mandado de prisão de Vorcaro. O banqueiro ainda citou o advogado Pierpaolo Bottini em uma mensagem sobre estratégias judiciais.
Fachin afirmou, sem mencionar diretamente o episódio, que anunciaria as providências após concluir a análise dos fatos e observar os procedimentos institucionais. “No tempo devido e sem precipitação”, disse o presidente do STF em um seminário sobre democracia.
Fachin também declarou que o momento exigia preservar a integridade do Supremo, a autoridade de suas decisões, o respeito às normas da Corte e a confiança da sociedade na instituição. Mendonça, por sua vez, havia escrito que o caso deveria chegar ao plenário independentemente da manifestação da PGR.








