O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), o bloqueio de bens e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida foi apresentada como forma de assegurar uma possível reparação relacionada às apurações sobre o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse.
A representação menciona valores acima de R$ 70 milhões associados ao banqueiro Daniel Vorcaro na produção. Para Lindbergh, os recursos atribuídos ao Banco Master e as verbas de emendas parlamentares devem ser examinados conjuntamente, porque os dois fluxos têm relação com o filme.
Transferências para a produção
O documento cita um repasse de US$ 1,6 milhão identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em setembro de 2025. O valor foi destinado ao Havengate Development Fund, fundo americano que administrava recursos para a produção.
Com a operação, o total atribuído a Vorcaro para o filme teria passado de cerca de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. A representação também associa o pagamento a uma mensagem em que Flávio Bolsonaro teria cobrado parcelas atrasadas do banqueiro. A proximidade entre a cobrança e o repasse, além da diferença entre a data da transferência e uma declaração anterior sobre o último pagamento, é apontada como ponto a esclarecer. Na declaração mencionada, Flávio teria dito que o pagamento final ocorreu em maio de 2025.
O pedido cita ainda a Operação Make Up, autorizada por Dino, que apura possível desvio de emendas para entidades ligadas à produção. Entre os valores listados estão R$ 2 milhões indicados por Mário Frias, R$ 1,15 milhão destinado a outra entidade ligada à produtora e R$ 645,4 mil transferidos diretamente da conta de um parlamentar para a produtora durante as filmagens.
Neste domingo, 13, Dino retirou o sigilo de documentos da Polícia Civil de São Paulo sobre o financiamento de Dark Horse e determinou o envio, à Polícia Federal, dos dados brutos extraídos de celulares, computadores e documentos. Na decisão, o ministro mencionou a hipótese de um esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com referências a emendas federais e a recursos da Prefeitura de São Paulo. Também citou uma linha de investigação sobre possíveis vínculos com o PCC e atribuiu a Mário Frias, no campo hipotético da apuração, um possível papel de liderança.









