A deflação de 0,32% registrada pelo IPCA em agosto reforçou as projeções de analistas para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa básica de juros está atualmente em 14% ao ano.
O Copom, formado pelos diretores do Banco Central, começa a reunião na terça-feira. A decisão deve ser divulgada no fim da tarde de quarta-feira (16/9). O calendário prevê ainda encontros em 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, afirmou que a deflação, a primeira do ano, não muda a projeção da instituição para a inflação anual, atualmente em 5,0%, mas reforça a expectativa de redução da Selic. A instituição projeta a taxa em 13,75% para 2026.
Julio Barros, economista do banco Daycoval, disse que o resultado de agosto era esperado, mas apresentou diferenças em relação às estimativas da instituição. Segundo ele, o grupo de serviços teve desempenho melhor que o previsto, sem alterar a expectativa de corte de 0,25% na reunião de setembro.
Projeções para a taxa de juros
O mercado prevê mais um corte de 0,25 ponto percentual depois da reunião que começa na próxima terça-feira. O último relatório Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de respostas de agentes do mercado, indica que a Selic deve terminar 2026 em 13,75% ao ano.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também afirmou esperar ao menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano. “Deve terminar o ano com 13,75% ou mais baixa, não tem grandes oscilações, o que é ruim”, disse.
Além da inflação, a desaceleração da economia é apontada como fator que favorece o corte. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, abaixo da expansão de 1,1% registrada no trimestre anterior. O consumo das famílias recuou 0,4%, depois de ter crescido 0,8% no primeiro trimestre.
A Selic é usada pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos desestimulam o consumo, enquanto a redução da demanda pode diminuir a pressão pela manutenção da taxa em nível elevado.
Resultado do IPCA
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1979 e mede mensalmente a variação dos preços de produtos e serviços. O índice acompanha categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário e artigos de residência. A pesquisa engloba 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
Em agosto, o grupo habitação recuou 1,87%, puxado pela energia elétrica residencial, que caiu 7,63%. Esse foi o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real (1994). A redução da conta de luz ocorreu por causa do Bônus de Itaipu, mesmo com a aplicação da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,22%. No acumulado de janeiro a agosto, o IPCA subiu 3,11%. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.








