O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirmou que as revelações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro expõem uma disputa interna entre grupos da direita e tentativas de transferir a responsabilidade para a esquerda.
A avaliação ocorreu após informações sobre as relações de Vorcaro com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além da notícia de que o dono do Banco Master teria dado dinheiro para campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022.
O cientista político também citou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que teria pedido recursos ao banqueiro para financiar o filme biográfico sobre o pai, “Dark Horse”. Para Ramirez, as notícias mostram que Vorcaro teria ampliado sua presença em diferentes níveis da federação, incluindo municípios, estados e os poderes federais.
Críticas à estratégia da direita
Ramirez disse que setores da extrema direita tentam associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal ao caso. Na avaliação dele, o ministro André Mendonça teria sido usado para desviar a atenção de informações relacionadas ao filme, ao dinheiro distribuído por Vorcaro e às campanhas de políticos bolsonaristas.
“O que a gente tem que perceber é que essa é uma estratégia da direita”, afirmou o professor, ao mencionar também o caso envolvendo Alexandre de Moraes.
O cientista político criticou ainda a decisão de Mendonça de manter sob sigilo as investigações relacionadas ao filme sobre Bolsonaro e permitir a divulgação de informações referentes a Alexandre de Moraes. Segundo Ramirez, havia um acordo informal para que as investigações sobre o Banco Master e a publicação dos casos avançassem depois das eleições, o que não teria ocorrido.
Na análise dele, Lula acabou beneficiado por ter dado liberdade de atuação à Polícia Federal. Ramirez afirmou que os principais prejudicados seriam políticos de direita e de centro. Também mencionou o presidente do Senado, Alcolumbre, que teria confrontado Flávio Bolsonaro e defendido Alexandre de Moraes. Para o professor, o episódio representa uma disputa entre grupos da própria direita, motivada pelos interesses políticos de cada um.








