O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) apresentou nesta terça-feira (8/9), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um pedido para investigar o crescimento do alcance digital da candidatura de Augusto Cury (Avante) à Presidência da República. A iniciativa também envolve o candidato a vice, Júlio Delgado (Avante).
A ação aponta suspeitas de aquisição de seguidores, engajamento coordenado e utilização de ferramentas automatizadas. Otoni afirma que esses mecanismos poderiam ter ampliado artificialmente a audiência da chapa e caracterizado abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. O caso está sob análise do corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.
O deputado pede que o TSE verifique se foram empregados dinheiro ou estruturas para impulsionar o desempenho da candidatura. Caso as irregularidades sejam comprovadas, defende a cassação do registro da chapa de Augusto Cury e Julio Cesar Delgado, além da inelegibilidade de pessoas que tenham participado ou concordado com a eventual operação.
Dados sobre o crescimento no Instagram
A representação concentra parte dos questionamentos no comportamento da conta de Cury no Instagram no fim de agosto. Conforme os dados apresentados ao tribunal, o perfil tinha cerca de 8,3 milhões de seguidores em 23 de agosto, quando o candidato participou do primeiro debate presidencial, na Band. Em 25 de agosto, o número estaria próximo de 8,5 milhões.
O levantamento aponta que a conta ganhou cerca de 686 mil seguidores em 26 de agosto e mais 1,2 milhão no dia seguinte. Na primeira hora de 28 de agosto, teriam sido acrescentados outros 146 mil. Em um intervalo de 24 horas, o aumento teria alcançado aproximadamente 1,6 milhão. Ao longo de cerca de três dias, o ganho teria chegado a 2,4 milhões.
Antes desse período, a conta crescia, segundo a análise, entre 1 mil e 3 mil seguidores por dia. Entre 23 e 29 de agosto, o perfil teria avançado 18 vezes mais que a soma dos demais candidatos à Presidência. O documento afirma ainda que parte das novas contas passou a seguir o candidato durante a madrugada.
A ação também compara o aumento de seguidores com as menções públicas ao escritor. No dia do salto de aproximadamente 1,6 milhão de seguidores, foram identificadas 16,7 mil referências a Augusto Cury em redes sociais abertas, portais e blogs. No mesmo levantamento, Lula teve 367 mil menções; Flávio Bolsonaro, 239,1 mil; Renan Santos, 73,2 mil; Ronaldo Caiado, 57,4 mil; e Romeu Zema, 26,2 mil.
Segundo os dados levados ao TSE, Cury foi o menos citado entre os presidenciáveis analisados naquela data. A representação sustenta que o volume de novos seguidores não teria sido acompanhado por uma movimentação equivalente na discussão pública sobre a candidatura.
Interações e pedidos à Meta
O estudo apresentado por Otoni de Paula contabilizou 841,7 mil interações de Cury no Instagram e 8,2 mil no TikTok no período examinado. A análise de aproximadamente 12 mil comentários publicados no perfil indicou que 39% eram compostos apenas por “70”, “70✅” ou formas semelhantes, em referência ao número da candidatura.
O levantamento também identificou contas sem publicações próprias e perfis que seguiam muito mais usuários do que tinham seguidores. Para o deputado, esses elementos podem indicar participação coordenada ou artificial nas interações.
Outro dado citado é o crescimento de cerca de 5.000% nas buscas por “Augusto Cury” na Índia, conforme o Google Trends. A ação relaciona esse resultado à presença, no país, de fornecedores de seguidores e interações artificiais, mas não afirma que a campanha tenha contratado esse tipo de serviço.
Otoni solicita que o TSE peça à Meta, empresa responsável pelo Instagram, informações sobre a origem dos novos seguidores, o caminho percorrido até a página do candidato, o alcance de conteúdos pagos e eventual identificação ou remoção de contas com comportamento artificial ou automatizado. Também quer comparar os dados com as despesas declaradas pela campanha, para verificar a existência de gastos não informados, recursos de terceiros ou dinheiro de origem proibida.
Cury nega manipulação. Questionado sobre o caso no último dia 1º, afirmou que o crescimento foi espontâneo e disse que a campanha gastou entre R$ 20 mil e R$ 50 mil para promover conteúdos. “Excelente que se investigue, porque foi completamente espontâneo”, declarou. O escritor atribuiu a alta de seguidores e o avanço nas pesquisas ao cansaço de parte do eleitorado com a polarização política.








