A inteligência artificial já é usada em diferentes etapas da produção agrícola, da identificação antecipada de pragas à previsão de colheitas e ao acompanhamento da saúde dos animais. A tecnologia também é aplicada em máquinas autônomas, na irrigação e na distribuição de pesticidas.
Monitoramento e previsão
Drones, imagens de satélite e modelos de visão computacional conseguem identificar infecções fúngicas e pragas antes que sejam percebidas pelo olho humano. Com sensores de solo, os agricultores obtêm um conjunto maior de informações para decidir onde aplicar produtos de proteção das culturas.
Sensores também ajudam a estimar o que será colhido, além de registrar a produção já retirada do campo. A Syngenta desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial generativa com 95% de precisão na previsão de rendimentos. O sistema ainda oferece recomendações sobre a colocação das sementes.
A estimativa antecipada permite organizar a logística e fornecer informações mais precisas a varejistas e empresas de transporte. Um estudo realizado por economistas agrícolas da Virginia Tech para a National Corn Growers Association calculou em cerca de 301 milhões de dólares o valor anual dos relatórios de previsão do USDA para o mercado de milho. O montante corresponde a aproximadamente 0,55% do valor total desse mercado.
Máquinas e uso da água
A inteligência artificial também amplia a automação de tratores e outros equipamentos de campo. A John Deere trabalha com tratores totalmente autônomos, enquanto o LaserWeeder, da Carbon Robotics, usa 24 lasers, 36 câmeras e 24 GPUs NVIDIA. O equipamento identifica e elimina até 10 000 ervas daninhas por minuto em mais de 100 tipos de cultura, com base em 150 milhões de imagens de plantas etiquetadas de máquinas em funcionamento em 15 países.
Na irrigação, sistemas que combinam dados de umidade do solo, temperatura da copa das plantas e previsões meteorológicas reduzem o consumo de água em cerca de 30%. Em um caso documentado em plantações de cana-de-açúcar na Índia, a economia de água foi acompanhada por aumento de 40% no rendimento.
Sistemas de pulverização de taxa variável aplicam pesticidas apenas nos pontos necessários, reduzindo o volume de produtos químicos e gerando registros para facilitar o cumprimento das normas.
Pecuária
Na criação de animais, câmeras e sensores vestíveis, como acelerômetros e monitores biométricos, podem detectar sinais de doença vários dias antes do surgimento de sintomas visíveis. A aplicação busca reduzir o uso de antibióticos e melhorar os indicadores de bem-estar animal, em um cenário de maior pressão regulatória e comercial sobre o uso desses medicamentos na carne e nos laticínios.








