Uma pesquisa publicada na última quinta-feira (10) na revista European Heart Journal associou a exposição elevada à luz durante a noite a alterações na estrutura e no funcionamento do coração. O estudo foi liderado pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, e acompanhou 11.071 pessoas.
Os participantes faziam parte do UK Biobank, banco de dados britânico usado em pesquisas de saúde. Durante sete dias, eles usaram no pulso um sensor que registrou a quantidade de luz recebida à noite. Três anos depois, passaram por exames de ressonância magnética cardíaca, capazes de mostrar detalhes da estrutura e do funcionamento do órgão.
Alterações observadas
Os pesquisadores compararam pessoas expostas a mais de três lux com aquelas praticamente sem contato com luz durante a noite. Lux é a unidade usada para medir a quantidade de luz que chega a uma superfície.
O grupo mais exposto apresentou espessamento da parede do ventrículo esquerdo, uma das principais câmaras cardíacas. Esse aumento reduz o espaço disponível para a passagem do sangue. Também foram identificados sinais de menor capacidade de contração do músculo cardíaco, além de mudanças no ventrículo direito e no átrio esquerdo.
Os pesquisadores classificaram o conjunto de alterações como remodelação cardíaca, processo em que o coração modifica sua estrutura e seu funcionamento em resposta a estresse ou lesões. Lu Qi, primeiro autor do artigo, afirmou que esse mecanismo de adaptação pode, com o tempo, enfraquecer o coração e levar à insuficiência cardíaca.
Redução da luz no quarto
O estudo sugere que diminuir a claridade durante a noite pode integrar estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares. A recomendação também se relaciona à poluição luminosa, causada pelo excesso de luz artificial em ambientes internos e urbanos.
Em editorial publicado junto com a pesquisa, especialistas do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, defenderam que médicos perguntem a alguns pacientes sobre o ambiente de sono, especialmente aqueles com insuficiência cardíaca ou fibrilação atrial. Entre as questões sugeridas estão o nível de escuridão do quarto, o trabalho em turnos noturnos e o uso de telas após o pôr do sol.
As medidas citadas incluem cortinas blackout, iluminação de cabeceira com luz quente e cobertura de LEDs de aparelhos eletrônicos. Para áreas urbanas, os especialistas mencionaram luminárias com melhor direcionamento, lâmpadas de espectro mais quente e sistemas com intensidade regulável ou acionados por movimento.








