SÃO PAULO — A investigação sobre o possível uso irregular de emendas parlamentares no financiamento de Dark Horse passou a tramitar sem sigilo por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O caso envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up na quinta-feira 10 para aprofundar as diligências. Entre os alvos estava o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, além de Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, responsável pela obra.
Referências ao PCC na decisão
Dino citou duas vezes o Primeiro Comando da Capital (PCC) ao avaliar os elementos encaminhados pela Justiça paulista e a representação da PF. Em um dos trechos, mencionou indícios de atos ligados à facção, o que poderia indicar uma dimensão interestadual para o caso e justificar a atuação federal.
O ministro também apontou a possibilidade de uma estrutura única voltada à captação, ao desvio e à ocultação de recursos públicos. A decisão cita ainda uma possível função de liderança atribuída a Frias no contexto hipotético investigado.
As buscas incluíram o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades pertencentes a Karina Gama. A apuração teve origem na Polícia Civil de São Paulo e passou à supervisão do STF.
Fluxo de recursos sob análise
A PF investiga movimentações entre o deputado, empresas e entidades ligadas ao núcleo sob apuração. Um dos pontos destacados é a relação financeira entre a Complexsys, o ICB, a ANC e Mário Frias. A Complexsys teria sido contratada pelo instituto para executar projetos financiados com dinheiro público, recebido transferências do parlamentar e feito repasses ao ICB.
Também são analisadas transferências da Complexsys para a ANC. Para os investigadores, a circulação de valores entre o parlamentar, empresas contratadas e entidades beneficiárias formaria um circuito financeiro fechado, sem justificativa comercial independente.
A Urban Connect Serviços e Tecnologia, que teve Alex Leandro Bispo dos Santos como sócio, recebeu mais de 1,2 milhão de reais do ICB. Foram 611,1 mil reais em fevereiro de 2025 e outros 666,7 mil em abril do ano passado. Parte do dinheiro teria sido transferida depois para a Ultra IP Tecnologia, que repassaria valores a outras empresas e entidades investigadas.
Alex foi sócio único da Urban Connect desde sua criação, em agosto de 2020. Em janeiro passado, transferiu as cotas para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes. A decisão informa que ele foi preso sob acusação de feminicídio e deixou a prisão em agosto.
Manifestação de Mário Frias
Após a operação, Frias classificou a ação como uma “cortina de fumaça” e negou irregularidades. O deputado afirmou que a investigação trata de uma emenda parlamentar de 2 milhões de reais destinada a um projeto esportivo e a outro de letramento digital.
A PF também afirma que transferências feitas por Frias à Go Up teriam valores incompatíveis com sua renda declarada e com os créditos identificados em suas contas. Por isso, os investigadores passaram a descrevê-lo não apenas como autor de emendas que poderiam ter sido desviadas, mas como possível agente central da estrutura investigada.









