Política

Bruxelas prepara nova estratégia para o Ártico diante da disputa entre potências

Documento da União Europeia deve incorporar segurança e defesa após mudanças na presença de Rússia, China, Estados Unidos e Canadá na região.

Bruxelas prepara nova estratégia para o Ártico diante da disputa entre potências

A União Europeia prepara uma nova estratégia para o Ártico em meio ao aumento da presença militar e econômica de diferentes potências na região. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, conclui uma visita de dois dias à capital da Groenlândia para fortalecer as relações com o território e reunir informações para o documento em elaboração.

A publicação da política foi adiada, e a Comissão Europeia não informou uma nova data. O atraso preocupa especialistas e parlamentares europeus, que defendem uma abordagem mais ampla para segurança, defesa, energia, infraestrutura e matérias-primas críticas.

A estratégia anterior, publicada em 2021, concentrava-se em mudanças climáticas, matérias-primas e influência geopolítica. A Comissão reconheceu posteriormente que o texto precisa ser atualizado para refletir um cenário marcado pela militarização da Rússia, pela expansão econômica da China e pela abertura de novas rotas marítimas provocada pelo derretimento do gelo.

Disputa por influência e rotas marítimas

Rússia e China ampliaram suas atividades no Alto Norte, uma área rica em recursos. Estados Unidos e Canadá também mantêm presença, assim como Finlândia, Suécia e Dinamarca, países integrantes da União Europeia.

O aquecimento do Ártico ocorre a um ritmo quase quatro vezes superior à média global. Mais de 10.000 quilômetros cúbicos de gelo marinho foram perdidos na região nos últimos 40 anos, o que favoreceu a abertura de rotas de navegação em áreas antes inacessíveis.

Em 2018, Xi Jinping apresentou a Rota da Seda Polar, iniciativa chinesa voltada à criação de infraestrutura de transporte pelo Oceano Ártico, conectando Europa e Ásia. Em agosto, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, anunciou a chegada de um porta-contêineres da China a Murmansk por uma rota ártica antes considerada intransitável.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou em fevereiro que o Ártico deixou de ser uma área tranquila e passou a integrar a competição global por poder. Ela também alertou para o aumento de ameaças híbridas e para o reforço militar da Rússia no Alto Norte.

Segurança e cooperação internacional

O eurodeputado estoniano Urmas Paet defendeu que a nova estratégia reflita as transformações da região e estabeleça como o orçamento europeu deve responder a elas. Entre as áreas citadas estão pesca, navios quebra-gelo, energia e infraestrutura.

Paet também pediu maior cooperação com parceiros da Groenlândia em matérias-primas críticas e energia. Em um relatório de 2025, ele havia solicitado a atualização da política europeia, apontando a militarização russa e a Rota da Seda Polar como fatores de tensão geopolítica.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Mark Rutte, declarou que é necessário ampliar a atuação diante do interesse chinês e da atividade militar russa. Em fevereiro, a aliança lançou a iniciativa Sentinela do Ártico, destinada a reunir os países aliados em uma estratégia operacional comum.

A nova política também poderá propor maior coordenação entre a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Linda Solstrand Dahlberg, da Universidade do Ártico da Noruega, citou a proteção dos cabos submarinos entre a Noruega e a Europa continental e a cooperação na indústria de defesa como possíveis áreas de trabalho.

Maria Martisiute, analista do European Policy Centre, afirmou que a política de 2021 não menciona a defesa militar e que a agenda geopolítica europeia mudou após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Ela defendeu que as parcerias de segurança e defesa da União Europeia com Canadá, Islândia, Noruega e Reino Unido sejam incluídas no novo documento.

Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a revisão busca promover “paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável na região”. Para os especialistas consultados, a defesa no Ártico está diretamente ligada à segurança europeia.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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