Donald Trump afirmou na quinta-feira que os países europeus deverão reembolsar os Estados Unidos pela ajuda concedida à Ucrânia durante o governo de seu antecessor, Joe Biden. O presidente americano não informou quais países seriam cobrados nem como o pagamento seria feito.
Trump defende há anos que a Europa assuma uma parcela maior dos custos do apoio ocidental à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Em sua plataforma Truth Social, escreveu que “Centenas de milhares de milhões de dólares foram dados à Ucrânia e à NATO, gratuitamente” e que os Estados Unidos pedirão esse dinheiro, mesmo com atraso.
No mesmo texto, Trump negou que as Forças Armadas americanas estejam ficando sem munições durante a guerra contra o Irã. Ele disse que o país dispõe de quantidades praticamente ilimitadas de munições de média e alta qualidade, produzidas em níveis nunca antes vistos.
O presidente também afirmou que Washington está reforçando seus estoques e se preparando para possíveis cenários. As vendas de armas para outros países foram suspensas temporariamente, mas, segundo Trump, devem ser retomadas em breve para os aliados.
No final de março deste ano, o Congresso havia autorizado 195 bilhões de dólares em despesas relacionadas à guerra na Ucrânia, conforme o gabinete do inspetor-geral do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O Departamento de Estado informou, em março do ano passado, que Washington havia fornecido 66,9 bilhões de dólares em ajuda militar desde o início da invasão russa em grande escala, em 24 de fevereiro de 2022, e aproximadamente 69,7 bilhões de dólares desde a primeira invasão russa da Ucrânia, em 2014.
Desde agosto de 2021, o departamento afirmou ter usado 55 vezes a autoridade presidencial de emergência para transferir material militar, destinando cerca de 31,7 bilhões de dólares em ajuda a partir das reservas do Departamento de Defesa.
A Europa ampliou significativamente o apoio financeiro à Ucrânia no início deste ano, mas ainda depende fortemente de armamentos americanos para sua ajuda militar, segundo o rastreador de apoio à Ucrânia do Instituto Kiel para a Economia Mundial.
Armazém da OMS é atingido na Ucrânia
A Organização Mundial da Saúde informou nesta sexta-feira que um de seus principais armazéns na Ucrânia foi atingido por um ataque aéreo durante a noite. Foi o terceiro incidente desse tipo envolvendo instalações usadas pela OMS em diferentes regiões do país nos últimos três meses.
O ataque ocorreu na região de Kiev e atingiu um local onde estavam armazenados bens e materiais médicos humanitários. O acesso permanecia restrito por causa da fumaça intensa e de questões de segurança, enquanto eram avaliados os danos e as perdas de estoque. Nenhum funcionário da OMS foi atingido.
O porta-voz da organização, Christian Lindmeier, afirmou que os ataques fazem parte de um padrão mais amplo contra operações humanitárias na Ucrânia. Em 2026, pelo menos 20 ataques atingiram armazéns que guardavam itens de ajuda humanitária, incluindo 15 contra instalações com materiais ligados à saúde.
Há duas semanas, um ataque destruiu um armazém humanitário em Dnipro e provocou a perda de metade dos suprimentos e materiais médicos destinados a cerca de 225.000 pessoas. Outro armazém utilizado pela OMS na região de Kiev foi danificado em julho, durante uma onda de ataques contra a capital e áreas próximas.
A OMS informou que verifica e registra ataques contra o setor de saúde, mas não atribui responsabilidades por não ser uma agência de investigação. A organização também afirmou ter verificado mais de 3.000 ataques na Ucrânia desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.








