A decisão de Israel de fechar o consulado britânico em Jerusalém ampliou o conflito diplomático provocado pelo anúncio de medidas contra produtos de colônias israelenses na Cisjordânia. O fechamento foi anunciado pelo ministro das Relações Exteriores, Gidéon Saar, em resposta às declarações do chanceler britânico Ed Miliband e às restrições comerciais comunicadas por países ocidentais.
Ao todo, 12 países afirmaram que pretendem adotar restrições nacionais, apoiar medidas europeias ou considerar outras ações contra bens provenientes de colônias israelenses. França, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal e Suécia participaram do comunicado conjunto dos ministros das Relações Exteriores.
Reação de Israel
Saar classificou como falsas as acusações apresentadas por Miliband ao Parlamento britânico, incluindo a denúncia de um processo de limpeza étnica na Cisjordânia. O ministro israelense também afirmou que a iniciativa britânica representa ingerência nos assuntos de Israel e em seu processo eleitoral, marcado para 27 de outubro.
Israel Gantz, presidente do Conselho de Yesha, organização que representa os colonos da Cisjordânia ocupada, criticou as medidas anunciadas. Ele disse que a decisão contra produtos de comunidades israelenses na região é antissemita e vergonhosa.
A Autoridade Palestina, por outro lado, saudou o anúncio e considerou as sanções uma etapa importante para que as autoridades israelenses prestem contas.
Restrições anunciadas
A França declarou que pretende interromper o comércio com as colônias israelenses na Palestina. O governo francês afirmou que a iniciativa é direcionada às colônias e não constitui um boicote a Israel. Também disse que Israel continuará sendo parceiro econômico da França e que o país seguirá se opondo a tentativas de boicote mais amplas.
O Reino Unido anunciou uma proibição de importação de produtos provenientes de colônias ilegais nos territórios ocupados. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas contra esse comércio. Na Irlanda, um projeto aprovado por deputados proíbe a importação de produtos agrícolas e industriais dessas colônias, mas não inclui serviços.
A França também vinha defendendo uma decisão da União Europeia sobre o tema. Sem consenso no bloco, Paris decidiu avançar com uma medida nacional. O governo francês relaciona a iniciativa à expansão dos assentamentos e à violência de colonos contra palestinos, afirmando que a situação compromete a perspectiva de um Estado palestino viável.
As autoridades francesas não detalharam como a decisão será aplicada, se será necessário aprovar uma lei, quais produtos serão atingidos ou quando as restrições entrarão em vigor. Também não informaram o volume de importações que poderá ser afetado.








