O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou a retirada de postos avançados de colonos sem autorização oficial na Cisjordânia. A decisão foi confirmada neste domingo (6) por duas pessoas informadas sobre o assunto e ocorreu após pressão dos Estados Unidos para que Israel adote medidas contra ataques de colonos a palestinos.
Os postos costumam ser formados por trailers pré-fabricados e abrigam poucos colonos. O governo israelense já demoliu algumas dessas estruturas e reconheceu formalmente outras, permitindo o acesso a financiamento governamental. Ainda não foi informado quando a operação determinada por Netanyahu começará.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, chamou colonos violentos de terroristas no sábado e defendeu consequências severas. A declaração ocorreu depois de uma reunião com palestinos-americanos em uma cidade palestina da Cisjordânia. No mesmo dia, ele afirmou que Israel deveria agir contra o que classificou como “comportamento criminoso e terrorismo”.
Divisão territorial e assentamentos
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou que Netanyahu deu “uma instrução para desocupar locais construídos nas Áreas A e B”. Essas áreas da Cisjordânia concentram a maioria da população palestina. A declaração foi dada em uma conferência em Jerusalém, após questionamento sobre a informação de que as ordens alcançariam cerca de 100 postos avançados.
Os Acordos de Oslo, firmados na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), dividiram a Cisjordânia em três zonas: A, B e C. Smotrich, que é colono e supervisionou projetos habitacionais em assentamentos, disse discordar da decisão de Netanyahu, mas afirmou que o governo avançou na promoção dos assentamentos na Área C.
A organização israelense Peace Now estima que existam 340 postos avançados na Cisjordânia, além de 146 assentamentos reconhecidos formalmente pelo governo israelense. Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional e classificam a Cisjordânia como território ocupado sob controle militar. Israel afirma que o território é disputado.
No mês passado, colonos cercaram casas de palestinos em uma vila próxima, incluindo a residência de um palestino-americano. Moradores disseram continuar sofrendo assédio e intimidação. O governo israelense condenou a violência, mas os autores raramente são presos e com menor frequência são levados a julgamento.








