Reino Unido, França, Canadá e outros nove países anunciaram novas restrições comerciais contra colônias israelenses na Cisjordânia ocupada. A medida foi divulgada nesta terça-feira por meio de uma declaração conjunta dos ministros das Relações Exteriores, que apontaram uma rápida deterioração da situação e o aumento de ataques de colonos contra palestinos.
Também aderiram Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia. Os governos afirmaram que as ações israelenses na Cisjordânia ameaçam a possibilidade de uma solução de dois Estados e mencionaram níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão das colônias.
A decisão ocorreu depois de o governo israelense abrir, no mês passado, licitações para a construção de cerca de 1.200 unidades habitacionais na área de colônias E1. O projeto foi condenado internacionalmente e por organizações de direitos humanos. Segundo a declaração dos ministros, a publicação das licitações é inaceitável, e as novas construções isolariam ainda mais Jerusalém Oriental do restante do território.
Medidas anunciadas pelo Reino Unido
O ministro britânico das Relações Exteriores, Ed Miliband, acusou colonos de praticar limpeza étnica em áreas da Cisjordânia e disse que o governo israelense muitas vezes ignorou essas ações. Ele também anunciou a proibição da importação de produtos provenientes de colônias ilegais nos territórios ocupados.
Miliband afirmou no Parlamento britânico que os cidadãos do Reino Unido não desejariam apoiar a ocupação por meio da compra desses produtos em lojas e supermercados.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, disse na rede X que a Cisjordânia está à beira de uma explosão. Ele citou a expansão das colônias, a violência de colonos extremistas contra palestinos e atos de terror condenados pelas próprias autoridades israelenses.
Em resposta às medidas anunciadas em Westminster e às declarações de Miliband, o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, ordenou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém. Sa'ar classificou as acusações feitas pelo ministro britânico como mentiras.
A Cisjordânia é ocupada por Israel desde 1967 e teve aumento da violência após o início da guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos registrou cerca de 737 000 colonos israelenses na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, em outubro de 2024. As colônias israelenses na região são consideradas ilegais pelo direito internacional.








