PORTUGAL — A música foi um dos principais pontos de atração da 50ª edição da Festa do Avante!, encontro anual do Partido Comunista Português (PCP) que reuniu dezenas de milhares de pessoas na Quinta da Atalaia, na margem sul do Tejo. Ney Matogrosso foi responsável pelo maior público entre os concertos, em uma apresentação criada especialmente para o evento.
O cantor brasileiro, de 85 anos, participou de um show com o guitarrista português Pedro Jóia. Manuel João Vieira também apareceu no palco para cantar “Hasta Siempre Comandante”. A programação musical havia começado na sexta-feira, com a Nona Sinfonia, de Beethoven, no palco principal.
Além dos shows, o evento oferece pratos de diferentes regiões de Portugal e de outros países. O passe de três dias custa 35 euros, valor que atrai pessoas que não participam da festa por motivos de militância. A diversidade do público inclui pessoas de todas as idades e muitos jovens.
A Festa do Avante! é realizada desde 1976, dois anos após a restauração da democracia e a legalização do PCP, que antes atuava na clandestinidade. O formato foi inspirado em festivais associados aos jornais oficiais de partidos comunistas europeus, como a Fête de l’Humanité, na França, e a Festa dell’Unità, na Itália. A área da Quinta da Atalaia pertence ao partido desde 1989.
A edição também foi marcada pela discussão sobre a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), organização que a União Europeia incluiu em sua lista de grupos terroristas. O PCP havia convidado a entidade, mas ela não participou. O partido afirmou que “não estavam reunidas as condições”.
No encerramento, o secretário-geral Paulo Raimundo negou que tenha ocorrido um “desconvite” à FPLP. Ele também defendeu a posição do partido sobre a causa palestina e afirmou que o apoio aos palestinos não representa oposição a todos os israelenses. O evento contou novamente com a presença do Partido Comunista de Israel.
A causa palestina esteve presente na decoração e no vestuário dos participantes, ao lado de bandeiras vermelhas e camisetas de Che Guevara. O encontro ocorre em um momento de menor representação parlamentar do PCP: em 1976, o partido elegeu 40 deputados nas primeiras eleições legislativas livres após o 25 de Abril; atualmente, tem três. Paulo Raimundo concentrou o discurso final principalmente na política interna.








