A Fitch elevou a classificação da dívida soberana de Portugal de “A” para “A+” e manteve a perspectiva estável. A agência associou a decisão ao fortalecimento das finanças públicas, à previsão de redução da dívida e ao crescimento econômico mais sólido que o de outros países comparáveis.
A avaliação também considera o compromisso político com a prudência orçamentária, indicadores de governança acima da mediana dos países classificados em “A” e as condições institucionais ligadas à participação de Portugal na União Europeia e na Zona do Euro. Os níveis ainda elevados de dívida pública e externa continuam limitando a classificação.
Projeções para dívida e resultado fiscal
A Fitch estima que a dívida pública caia de 89,7% do PIB em 2025 para 87,0% em 2026 e 82,9% em 2028. A projeção é apoiada pela manutenção de superávits primários e por um crescimento nominal moderado. Mesmo com a redução, o indicador permaneceria acima da mediana projetada de 59,5% do PIB para países com nota “A”.
A agência prevê que o superávit orçamentário recue de 0,7% do PIB em 2025 para 0,1% em 2026. Entre os fatores citados estão despesas emergenciais e de reconstrução relacionadas às tempestades, medidas de redução de impostos e habitação previstas no Orçamento do Estado para 2026, o pico de investimentos da parcela de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência e o aumento de gastos com salários e pensões.
O impacto deverá ser parcialmente compensado pelo crescimento das contribuições sociais, associado à expansão do emprego, e pela distribuição de dividendos da Caixa Geral de Depósitos. Para 2027 e 2028, a Fitch projeta déficit médio de cerca de 0,4% do PIB.
A agência também prevê pressão sobre as contribuições sociais e as despesas em razão do envelhecimento demográfico e da diminuição da migração. O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social tinha ativos equivalentes a 13,9% do PIB no fim de 2025, considerado pela Fitch uma margem de segurança.
Habitação e gastos com defesa
Os preços da habitação residencial estavam cerca de 99% acima do nível do quarto trimestre de 2019 no primeiro trimestre de 2026. Na zona do euro, a alta acumulada no mesmo período foi de 31%. Para a Fitch, a baixa oferta e a demanda elevada, associadas à imigração, indicam pressões estruturais no mercado imobiliário.
A agência afirmou que o setor bancário sólido deve ajudar a conter os riscos financeiros relacionados à habitação e ao endividamento das famílias. O avanço dos preços ainda não havia gerado riscos macrofinanceiros significativos no curto prazo, mas poderia ampliar vulnerabilidades e dificultar o acesso à moradia.
A meta da Organização do Tratado do Atlântico Norte de alcançar 5% do PIB em gastos de defesa até 2035 deverá pressionar as contas públicas no médio prazo. A Fitch avaliou que o histórico de política fiscal relativamente estável, mesmo com mudanças de governo, reduz os riscos associados à incerteza política.
Reações em Portugal
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse que a redução da dívida é resultado do trabalho de famílias e empresas e defendeu a continuidade desse processo. Na rede X, classificou a decisão como uma “excelente notícia para Portugal”.
O presidente António José Seguro também comemorou a avaliação. Em comunicado publicado no site da Presidência, afirmou que a nota representa um reconhecimento externo do desempenho português. Segundo ele, a melhora pode favorecer as condições de financiamento do Estado, das empresas e das famílias, além de apoiar investimentos e a criação de empregos.
A decisão da Fitch acompanha avaliações anteriores. Em agosto, a Standard & Poor’s confirmou as classificações soberanas “A+/A-1”, de longo e curto prazo, em moeda estrangeira e local, e manteve perspectiva positiva. Em julho de 2025, a Morningstar DBRS confirmou a classificação de Portugal em “A”, com perspectiva estável. O governo português afirma que todas as agências de classificação financeira atribuem ao país uma nota da categoria “A”.








