A queda de Zhong Shaojun, assessor de longa data de Xi Jinping, ampliou a ofensiva do líder chinês para controlar a cúpula militar do país. Zhong era responsável por acompanhar o trabalho das Forças Armadas e atuou no Gabinete Geral da Comissão Militar Central, órgão que supervisiona o Exército Popular de Libertação.
Em 28 de agosto, a China anunciou a destituição dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli da Comissão Militar Central. Os dois estavam sob investigação desde janeiro por suspeitas de violações disciplinares e legais, expressão usada no país para se referir a casos de corrupção. Zhang era vice-presidente da comissão e o oficial uniformizado de mais alta patente do Exército Popular de Libertação. Liu integrava a comissão e chefiava o gabinete do Departamento Conjunto.
As mudanças reduziram a composição da Comissão Militar Central, que antes contava com sete membros, para apenas dois, incluindo Xi Jinping. O presidente chinês também ocupa a chefia do órgão.
Zhong foi igualmente destituído do cargo de deputado da Assembleia Popular Nacional, o parlamento chinês. A medida atingiu quatro oficiais militares, entre eles Zhang e Zhong. A saída do assessor é considerada especialmente relevante por causa de sua proximidade com Xi e de sua atuação dentro da estrutura militar.
A trajetória de Zhong Shaojun
Antes de ingressar nas Forças Armadas, Zhong era um burocrata local e secretário de Xi em Zhejiang. Ele acompanhou o líder em sua passagem por Xangai e, depois, por Pequim. Quando Xi chegou ao comando máximo da China, Zhong entrou no Exército Popular de Libertação e passou a ocupar funções no Gabinete Geral da Comissão Militar Central.
Ele foi vice-diretor e depois diretor do gabinete, além de ter sido promovido a tenente-general. Cerca de dois anos antes de sua destituição, seu paradeiro se tornou desconhecido. No verão de 2025, Zhong apareceu como comissário político da Universidade de Defesa Nacional, mas deixou o posto pouco tempo depois.
Zhong era visto nos círculos políticos chineses como um influente secretário de Xi. A relação com Zhang Youxia também era marcada por tensão, e Zhong teria sido encarregado de enviar informações internas ao líder chinês. A permanência dos dois em posições relevantes no Exército Popular de Libertação alimentou uma disputa entre diferentes grupos dentro da estrutura militar.
Xi se tornou secretário-geral do Partido Comunista Chinês em 2012. Antes disso, havia comandado o partido em Zhejiang de 2002 a 2007 e, em 2007, mudou-se para Xangai. Mais tarde, chegou a Pequim e passou a integrar o Comitê Permanente do Politburo.
Disputa pelo comando militar
O Exército Popular de Libertação é vinculado ao Partido Comunista Chinês, e não ao Estado chinês. Xi exige dos militares lealdade absoluta ao Comitê Central do partido, órgão que ele lidera como seu núcleo.
A campanha de expurgos ocorre antes do 21º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, previsto para o outono de 2027. Xi pretende buscar um quarto mandato de cinco anos como chefe do partido. Para isso, o controle das Forças Armadas é considerado crucial.
Altos funcionários do partido e das Forças Armadas demonstram descontentamento com a possibilidade de um quarto mandato, que poderia aproximar Xi da condição de líder máximo vitalício. Nesse cenário, pessoas consideradas insuficientemente leais podem se tornar alvo de expurgos.
Em janeiro, o Ministério da Defesa Nacional da China informou que Zhang Youxia e Liu Zhenli eram investigados por suspeitas de graves violações disciplinares e legais. Depois, o Diário do Exército Popular de Libertação afirmou que os dois haviam traído a confiança depositada pelo Comitê Central do Partido Comunista e pela Comissão Militar Central.








