SAXÔNIA-ANHALT — A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 43,8% dos votos nas eleições regionais do estado, mais do dobro do resultado obtido há cinco anos. A União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, ficou com 17,2%. Para o politólogo Nicolas Spohn, o resultado expõe uma insatisfação que o governo federal não pode ignorar.
Spohn avalia que a reação da coalizão liderada por Merz será determinante para o futuro do governo. O especialista em política dos estados do leste alemão afirmou que a CDU precisa rever sua orientação nacional, depois de prometer o relançamento da economia antes das eleições de 2025 e não cumprir essa expectativa.
Uma sondagem recente da YouGov apontou que apenas 16% dos alemães têm opinião favorável sobre o chanceler. Na Saxônia-Anhalt, a aprovação de Merz caiu para pouco mais de 9%. Segundo Spohn, esse desgaste pesou mais na votação do que a adesão específica às propostas da AfD.
Frustração no leste
O estado, que fez parte da República Democrática Alemã, perdeu um quarto de sua população desde a reunificação, em 1990, e teve a maior queda demográfica entre os estados alemães nos últimos 35 anos. Nas áreas rurais e entre os jovens, o especialista cita a falta de professores e as perspectivas limitadas de carreira.
Para Spohn, muitos eleitores apoiam a promessa de mudança associada à AfD, e não necessariamente suas posições de extrema direita. “As pessoas na Alemanha de Leste não são mais de direita; estão simplesmente mais frustradas”, afirmou.
A vitória foi a primeira, desde a Segunda Guerra Mundial, em que um partido de extrema direita chegou tão perto de exercer o poder regional. O resultado também abriu uma discussão sobre possíveis efeitos na política nacional. Thorsten Frei, líder da bancada da CDU no Bundestag, rejeitou a ideia de que o desempenho no estado terá consequências nacionais.
A AfD chega fortalecida às eleições regionais em Berlim e em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, previstas para menos de duas semanas. Nesse último estado, o partido lidera as pesquisas de intenção de voto, com cerca de 35%. Spohn defende que a CDU apresente aos eleitores uma perspectiva positiva para conter o avanço da legenda.








