A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt aumentou a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Friedrich Merz. O Partido Social-Democrata (SPD), parceiro de coalizão, passou a exigir mudanças nas reformas econômicas e sociais planejadas, enquanto a AfD ficou pouco abaixo da maioria absoluta no Parlamento estadual.
O resultado refletiu a insatisfação dos eleitores com a burocracia, o aumento do custo de vida, as incertezas sobre as aposentadorias e a insegurança econômica. Merz, que chegou ao poder em 2025 prometendo medidas duras para reanimar a economia, defende o avanço de propostas como o aumento da idade de aposentadoria e regras mais rígidas para o pagamento de auxílio-doença.
O primeiro-ministro reconheceu que precisa explicar melhor as medidas aos eleitores. O SPD, porém, quer negociar possíveis alterações na reforma da Previdência e da assistência social, além de retomar a discussão sobre o Orçamento de 2027 e sobre impostos incidentes sobre heranças e grandes fortunas.
Divergências dentro da coalizão
A coalizão reúne partidos de centro-esquerda e centro-direita para manter a extrema direita fora do poder nacional. Analistas avaliam que as exigências do SPD podem atrasar as reformas ou até inviabilizá-las se as tensões aumentarem.
“Como costuma acontecer depois de derrotas, certamente logo surgirão pedidos para que cada partido adote posições mais firmes”, afirmou Ralph Solveen, economista sênior do Commerzbank. Baerbel Bas, copresidente do SPD, defendeu que o governo mostre como as reformas poderão melhorar a vida da população.
O desempenho econômico também alimenta o desgaste. Um fundo especial de 500 bilhões de euros (US$ 580 bilhões) para infraestrutura e uma exceção às regras de endividamento para gastos com defesa ainda demoraram a produzir efeitos perceptíveis. Embora institutos tenham revisado para cima suas projeções, a melhora foi considerada pequena e tardia para convencer os eleitores da Saxônia-Anhalt, o estado alemão com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
A AfD, de perfil anti-imigração, tornou-se a principal força de oposição ao sistema político baseado no consenso que governa a Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda não está definido se conseguirá formar um governo estadual.
A Saxônia-Anhalt representa 1,8% do PIB alemão, e competências como impostos, estrutura do mercado de trabalho e sistemas de seguridade social não pertencem ao governo estadual. Por isso, o resultado não deve alterar significativamente a política fiscal ou econômica nacional. Economistas, no entanto, temem efeitos sobre investimentos estrangeiros e a atração de trabalhadores qualificados.
O resultado também levantou preocupações sobre o apoio à integração europeia, aos mercados abertos e à livre circulação de trabalhadores. Defensores das reformas afirmam que mudanças estruturais são necessárias diante da ascensão da indústria chinesa e do fim do acesso a fontes baratas de energia russa desde a guerra na Ucrânia. Marcel Fratzscher, presidente do DIW, disse que reformas mais amplas que as da Agenda 2010 são urgentes e associou a falta delas ao risco de a AfD conquistar maioria absoluta em 2029.








