Economia

Pesquisa mostra dificuldade para reconhecer anúncios criados por inteligência artificial

Estudo do Ibpad aponta que 41% dos entrevistados consideraram real um anúncio totalmente produzido por IA sem aviso.

Pesquisa mostra dificuldade para reconhecer anúncios criados por inteligência artificial

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad) mostra que 41% dos brasileiros consideraram real um anúncio publicitário produzido integralmente com inteligência artificial (IA), mesmo sem qualquer aviso. Apenas 30% reconheceram corretamente que o conteúdo era sintético, enquanto 29% não souberam diferenciar.

A pesquisa foi feita on-line com 1.005 pessoas com 18 anos ou mais, nas cinco regiões do país, entre 22 e 29 de julho. Quando o mesmo tipo de anúncio apresentava um selo de identificação, 55% dos participantes ainda não conseguiam reconhecer o conteúdo sintético.

Resultado do experimento

Os pesquisadores exibiram versões diferentes de um vídeo publicitário que circulou nas redes sociais no início de agosto. A produção, gravada originalmente com pessoas reais, foi recriada integralmente com IA pela produtora Trópico AI Studio.

Entre os participantes que assistiram à versão tradicional, 66% disseram que o conteúdo era real, 11% avaliaram que havia sido feito com IA e 23% não souberam fazer a distinção.

O estudo também identificou relação entre familiaridade com ferramentas de IA e confiança nas marcas. Consumidores que usam a tecnologia toda semana mantêm maior intenção de compra mesmo quando acreditam que um anúncio foi produzido com IA. Entre os que nunca utilizaram a tecnologia, a confiança e a intenção de compra são menores. Na desconfiança sobre o uso de IA, a pesquisa registra uma queda de 15% na intenção de compra.

A adoção de um selo para identificar propagandas geradas por IA é defendida por 93% dos entrevistados. Para o diretor-executivo do Ibpad, Max Stabile, “O ideal seria termos um selo padronizado, em um formato específico e de fácil identificação pelo eleitor”.

O levantamento não encontrou diferenças de idade, renda, escolaridade ou posicionamento político entre os consumidores que erram ao avaliar se um anúncio foi produzido com IA.

Regras eleitorais e notícias falsas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que propagandas eleitorais criadas ou modificadas com ferramentas de IA sejam identificadas de forma explícita, destacada e acessível em textos, áudios, vídeos e imagens. A corte também proibiu novos conteúdos gerados por IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores aos dias de votação.

Na terça-feira (1º), o TSE rejeitou a aplicação de multa ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, por um vídeo de Jair Bolsonaro produzido com IA e exibido durante a convenção do partido. Na ocasião, os magistrados reforçaram que deepfake é o conteúdo sintético produzido ou manipulado por IA, ou tecnologia equivalente, com realismo ou verossimilhança capaz de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa viva, falecida ou fictícia.

O estudo também apontou aumento na percepção sobre a circulação de notícias falsas. Do total, 63,7% disseram se deparar com uma notícia que acreditam ser falsa: 50,3% frequentemente e 13,4% o tempo todo. O índice supera os 28% registrados em 2018 pelo mesmo mapeamento.

Nos seis meses anteriores à pesquisa, 48% disseram que a circulação de notícias falsas ficou mais frequente. Para 39%, o fluxo permaneceu igual, enquanto 13,4% perceberam redução. Entre os 1.005 participantes, 53% desaprovam a atual gestão do governo federal e 47% são favoráveis.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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