A Itália passou a liderar entre as grandes economias europeias na divulgação de salários em anúncios de emprego, após a entrada em vigor de regras da União Europeia. O percentual de vagas com remuneração informada no país subiu de 26% em julho de 2025 para 61% em julho de 2026, segundo dados da plataforma Indeed.
A Diretiva sobre Transparência Salarial determinou que os países da UE adaptassem suas legislações até 7 de junho deste ano. A maioria não cumpriu o prazo. Até novembro, apenas Itália, Eslováquia, Malta, Lituânia e Grécia haviam concluído a transposição, conforme um artigo da PwC.
Itália supera o Reino Unido
Em julho de 2026, a Itália ultrapassou pela primeira vez o Reino Unido, que não faz mais parte da União Europeia, entre os seis países analisados. A proporção de anúncios com salário informado foi de 61% na Itália e 60% no Reino Unido.
Os Países Baixos registraram 49,5%, enquanto a França ficou em 43%. Alemanha e Espanha apresentaram percentuais inferiores a 20%: 14% e 18%, respectivamente. A Espanha teve poucos avanços, a Alemanha adiou a aplicação das regras para o início de 2027 e a situação da França permaneceu sem definição.
Pawel Adrjan, diretor de pesquisa econômica da Indeed, afirmou que a Itália se tornou referência entre as grandes economias europeias e que os dados indicam efeito concreto da regulamentação. Segundo ele, a parcela de anúncios italianos com salário informado avançou de 35% em janeiro para 61% em julho, com aceleração após a aplicação da diretiva, em junho.
A legislação italiana exige que os empregadores apresentem diretamente no anúncio o salário de entrada ou uma faixa salarial. A informação deve estar disponível antes de o candidato decidir se vai participar do processo seletivo, e não apenas ser apresentada durante o recrutamento.
Impacto sobre a desigualdade salarial
A Comissão Europeia relaciona a falta de transparência ao risco de discriminação e ao aumento da diferença de remuneração entre homens e mulheres. De acordo com o Eurostat, a diferença salarial de gênero na União Europeia foi de 11,1% em 2024. Na média, para cada 100 euros recebidos por homens, as mulheres ganharam 88,9 euros.
Não é esperado que todos os anúncios passem a informar salários, porque a diretiva tem alcance limitado. Na Itália, algumas funções estão excluídas, e ainda há discussões jurídicas sobre a aplicação das regras. Pawel Adrjan disse que a tendência de crescimento deve continuar à medida que as empresas ajustarem suas práticas.
Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos, criticou o descumprimento do prazo e afirmou que o sigilo salarial deixa mulheres e sindicatos sem informações necessárias para contestar desigualdades.
Um estudo da entidade estimou que as mulheres que trabalham na União Europeia perdem 358 bilhões de euros por ano devido à diferença salarial de gênero, o equivalente a quase 3.900 euros por mulher.








