Patrícia Camargo transformou a venda da Care, marca de clean beauty fundada com Luciana Navarro, em 2024, em uma nova etapa profissional. Após o negócio com o Grupo Granado, por um valor não revelado, ela passou a atuar como investidora, conselheira e professora, com foco na profissionalização de empresas lideradas por mulheres.
A Care foi criada em 2018 com processos, rastreabilidade e disciplina financeira. A estrutura de governança ajudou a atrair o Grupo Granado em uma negociação que durou cerca de um ano. Depois da conclusão, Patrícia descreveu a experiência como uma combinação de euforia e “síndrome do ninho vazio”. Para ela, deixar de tomar decisões sobre a empresa exige humildade, mas também pode contribuir para a longevidade e o legado do negócio.
Durante as negociações, a empreendedora descobriu um câncer de ovário agressivo. Mesmo em tratamento, participou da coletiva de imprensa que marcou a venda da Care. Ela afirmou que a experiência foi uma força para vencer a doença e celebrar o resultado.
Na fase posterior ao chamado exit, Patrícia passou a investir em negócios e a conectar fundadoras a fundos. Como investidora-anjo, faz aportes de até sete dígitos. Entre as iniciativas apoiadas está o Café por Elas, marca que reúne mais de 70 produtoras e avança do modelo B2B para o D2C. Outros dois investimentos devem ocorrer em breve.
Ela também atua como ponte entre empreendedoras e cinco fundos de investimento. Dois deles investem em estágios mais avançados, nas Séries C e D, com cheques de R$ 20 mi a R$ 30 mi. Os outros três se concentram nas etapas Seed e Série A, com aportes entre R$ 5 mi e R$ 10 mi.
Além disso, Patrícia é professora de varejo, estratégia e inovação na Link School of Business. Sua atuação prioriza empresas de varejo e bens de consumo, incluindo moda, alimentos, beleza e wellness.
A empreendedora avalia que negócios desses setores ainda enfrentam resistência de fundos de venture capital, em parte pela preferência por empresas de tecnologia pura. Para ela, o varejo continua sendo um espaço essencial para a aplicação de tecnologia.
Patrícia defende que a ampliação do acesso a capital depende de governança e gestão profissional. Em sua avaliação, muitas empresas lideradas por mulheres enfrentam dificuldades por erros caros que poderiam ser evitados desde o início. “Não existe empreendedorismo feminino ou masculino. Existe empreendedorismo”, afirmou.








